sábado, 10 de setembro de 2011

Eles que entendam!


2009

O à vontade com que os hispânicos se passeiam por Portugal, falando com os locais a sua língua com a mesma desenvoltura com que o fariam nos seus países é daquelas coisas que sempre me irritou profundamente. Pior do que isso, só mesmo a complacência dos meus compatriotas para com semelhante falta de delicadeza.

Pois, numa ida a Madrid, tive a única oportunidade de assistir a uma situação inversa. Um dos rapazes que me acompanhava, alto, de voz forte e presença assertiva, comportava-se com os espanhóis exatamente com a mesma naturalidade com que eles se portam por cá. E foi giro vê-lo no MacDonalds fazendo perguntas sobre os menus às empregadas (que lá lhe iam respondendo com uns segundos de atraso) ou respondendo a alguma pergunta ocasional feita por alguém no albergue onde pernoitávamos. Aquele não tinha piedade por ninguém. E se pensam que se tratava de algum nacionalista ferrenho, posso dizer-vos que estão enganados...

Aliás, a "naturalidade" deste rapaz não se manifestava apenas com os hispânicos mas também com qualquer outra criatura. Ao instalarmo-nos no albergue onde nos hospedámos (um agradável estabelecimento gerido por argentinos) chegaram ao quarto dois rapazes "indianos" (eram holandeses). Pois o meu companheiro de viagem, imediatamente começou a falar com eles em Português: "Viva! Então, estão bons?" - perguntou ele com o seu vozeirão. "Olhem, estas camas ficam para nós. Vocês ficam aí, não é? Ótimo..." - Os holandeses olhavam para ele, embasbacados...

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