quinta-feira, 18 de março de 2010

França/Marrocos 2010 - dia 15 (Tânger)

Vendedor de caracóis.
(repare-se no pormenor do lavatório...)
2010/03/18

Último dia em Tânger.

Fomos tomar o pequeno almoço ao Kadinsky, um café cosmopolita na avenida marginal da cidade. Durante o curto repasto, tivemos a companhia de um simpático gato que andava às sobras e que, mesmo expulso pelos empregados, encontrava sempre uma nesga por onde voltar a entrar. :)

Partimos dali e fomos deixar o carro junto à entrada do porto que fica numa grande praça e que, na sua simplicidade, é bem engraçada. Trata-se de um daqueles espaços amplos, com edifícios portuários de um lado, casas antigas do outro e, no meio, uma alameda com palmeiras. Acaba por ficar pertinho do forte que visitáramos no dia anterior.

Subimos por umas escadinhas junto dos prédios antigos, edifícios de estilo incerto mas que, como conjunto funcionam bem, e acabámos num pátio onde, a um canto, estava um painel com as armas da Espanha franquista. Era, claramente, uma espécie de miradouro onde, antigamente, talvez tivesse havido uma esplanada. A vista sobre toda aquela praça, sem deslumbrar, era boa e ainda melhor foi a visão de uma bela marroquina de formas particularmente sensuais e anca bamboleante que passou por mim. Imerso que estava naquela bonita visão - a qual acompanhei enquanto pude -, até esqueci esse dever fundamental entre machos que é o alertar quem nos acompanha com um "olha aquela gaja tão boa!". Fiquei com ela só para mim...

Subimos pela Rua de Portugal com a expetativa de ir visitar a Delegação Americana que ficaria algures por ali. Esta "Delegação" é um edifício propriedade dos EUA onde funcionam serviços diplomáticos. Trata-se de outro ponto turístico da cidade que também "apresentei" ao meu tio. Andámos às voltas pelas ruelas da Medina até que finalmente demos com o sítio (estávamos mal orientados, diga-se). Vimos uma porta de metal abrir-se e duas pessoas entrarem, olhámos, e o porteiro fez-nos sinal para também entrarmos: era ali.

Pátio da Delegação Americana
A "Delegação Americana", tal como o Café Paris, é um daqueles espaços com "ambiente". Bem sei que insisto no termo mas é mesmo o que consegue dar melhor ideia da coisa (apesar de vago). O edifício é secular e está decorado da forma que imaginaríamos uma "embaixada": com um misto de coisas locais e referências ao país proprietário. Há pinturas, tapetes, lareiras... Por todo o lado se sente aquela calma que nos faz imaginar sentarmo-nos num cadeirão, acender um cachimbo e iniciar uma conversa sobre política... A visita é gratuita e embora haja vigilantes, pode-se andar à vontade pelo espaço, quase como se estivéssemos em casa. A certa altura, passa por mim um indivíduo alto, de cabelos brancos e uns papéis na mão, o que me fez entender que o edifício, apesar da quase ausência de movimento, ainda deve ter utilização diplomática.

Deixando os aposentos mais "íntimos" da Delegação, podemos aceder aos pátios e a umas salinhas onde estão expostos uns diaporamas relativos a batalhas ocorridas em Marrocos. Num deles está representada a batalha de Alcácer Quibir. Eu e o meu tio bem tentámos perceber onde raio estava o D. Sebastião mas, no meio de tantos bonecos de camelos, árabes e portugueses (mortos e vivos), também nós não encontrámos o Desejado. Sacana da criatura que gosta mesmo de não aparecer...

Descemos até ao pátio inferior e passámos junto a uma sala onde funcionava uma espécie de aula para mulheres. Pareceu-me ser uma daquelas coisas do tipo de "ação comunitária". Saímos da Delegação Americana contentes por lá termos ido. É, realmente, um espaço acolhedor, incrustrado na cidade velha mas tão diferente da mesma.

Agora, era tempo de irmos à procura da Sinagoga. Andámos por aquelas ruelas tristes, para a frente e para trás mas, da sinagoga, nem sinal. Acabámos por desistir e fizémos o caminho de volta para o porto, com a intenção de ir comprar os bilhetes para o regresso à Europa.

Praça defronte do porto
Para comprarmos os bilhetes tivemos de entrar mesmo na zona "funcional" do porto o que, para mim, sempre tem graça porque gosto de todo aquele vai e vem de veículos, gente e navios. Chegados à bilheteira, fomos surpreendidos pela insistência do vendedor marroquino em responder em Castelhano ao nosso bom Francês. Há coisas que deixam um tipo sem jeito..

Com tudo isto, era hora de almoçar. O meu tio, sempre conhecedor destas coisas de comes e bebes, resolveu que iríamos comer uma "tajine" (prato típico) ao restaurante de uma estação de serviço (em tudo parecida com as que temos cá nas autoestradas). Acho que já o escrevi neste blog: a comida marroquina foi a minha única desilusão com aquele país. Se não fosse uma agradável sobremesa de tarte com creme de limão (nada típica), tinha ficado esfomeado.

Voltámos ao centro de Tânger, parando para reabastecer numa bomba (sim, bem sei, tínhamos vindo de uma...). A dita ficava junto a uma rotunda movimentadíssima onde era preciso suster a respiração para circular. Enquanto esperava que o carro ficasse pronto, diverti-me "descodificando" alguns carateres árabes, comparando o logotipo da gasolineira com a sua versão europeia (era a Total).

Voltámos a casa para descansar mas, antes, demos uma volta grande por zonas recentes, mas feias, da cidade. Trata-se daqueles bairros mais populares, desordenados, uma espécie de versão pior dos bairros sociais que vemos, por exemplo, no Algarve.

Chegados à base, aproveitei a tarde para pesquisar sobre o que ver em Gibraltar (de onde continuava sem confirmação da reserva feita no dia anterior). À noite, carregámos o carro com toda a tralha que viria para Lisboa. No fundo, acabava aqui a minha visita a Marrocos.

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