sexta-feira, 19 de março de 2010

França/Marrocos 2010 - dia 16 (Tânger - Gibraltar) - parte 2

Monumento aos
Pilares de Hércules
2011/03/19

O primeiro ponto da excursão pelo "Rochedo" é um monumento alusivo ao facto de a montanha de Gibraltar ser considerada um dos Pilares de Hércules (o outro sendo algures do outro lado do estreito), míticas marcas que "guardavam" a entrada do Mediterrâneo. O local, em si mesmo, é desinteressante e apenas poderia ter interesse como miradouro mas, para isso, era necessário que não houvesse nuvens.

Minutos depois, com todos na carrinha, estávamos a caminho da "St. Michael's cave", uma bela gruta com uma "sala" tão grande que é usada para espetáculos. O local tem uma atmosfera muito interessante, com as iluminações, diversos caminhos e uma grande humidade. Cá fora, podemos ter o primeiro contacto com os célebres macacos de Gibraltar, a única espécie existente na Europa e contra a qual somos logo avisados aquando do embarque. "Não lhes deem de comer nem lhes toquem!". Os bichos ali estão, espertos como são sabem que sempre conseguem sacar qualquer coisa para comer. Os guias já os conhecem e têm com eles uma confiança que lhes permite mexer nos animais com segurança. Mas... o ponto seguinte da excursão era dedicado aos simpáticos símios.

Começando a conversar com as pessoas, o guia aproveitou para ir dando pormenores sobre o território, falando da sua história e gentes e, claro, veio à tona a questão da exigência espanhola de retorno do território (escusado é dizer que não há a mesma preocupação relativamente a Olivença ou Ceuta). O guia fez questão de frisar que, embora a população fale Inglês e Castelhano e haja fortes relações entre as populações dos dois lados, os Gibraltinos são e querem continuar sendo Ingleses e que já o tinham mostrado de forma esmagadora em referendo. Para quem tivesse dúvidas, elas teriam acabado ali.

Macaco de Gibraltar
Continuando a subir a montanha, chega-se ao ponto mais alto ao qual os civis podem ir. A partir dali, só o pessoal ligado às instalações militares que estão lá bem em cima pode continuar o caminho. Mas esta limitação de acesso não entristece quem ali está: a vista é deslumbrante, apanhando todo o lado ocidental de Gibraltar e estendendo-se bem longe sobre Espanha; depois, há os macacos que ali têm uma pequena base onde todos esperam que eles brilhem para as fotografias. Há adultos e muitas crias que se entretêm a brincar umas com as outras. Independentemente da idade, todos chafurdam nos restos da comida que turistas e guias lhes deixam naquele local. Os macacos estão tão perto de nós que a tentação para brincar com eles é grande e há que resistir. Não só há o problema de podermos gerar alguma reação agressiva como também há casos em que os macacos roubam objetos como bolsas e malas que não estejam bem "guardadas". Foi, portanto, com imensa curiosidade  e alegria que andei pelo meio daquelas criaturinhas mas, ao mesmo tempo, com pena por não poder brincar com elas. Havia um macaco, já adulto, encostado a um muro, à sombra, e que olhava tudo aquilo com um ar de preocupação que me dava vontade de sentar ao seu lado e perguntar "Então, rapaz, isso anda mal?".

Túneis do Cerco
Terminado o momento divertido da tarde (havia quem se demorasse a entrar na carrinha por não parar de tirar fotografias), começava a descida da montanha, em direção à entrada para o grande complexo de túneis escavados pelos Ingleses aquando do cerco imposto por tropas espanholas e que durou de Julho de 1779 a  Fevereiro de 1783. Hoje, uma boa parte dos túneis está fechada ao público, embora continue a ser possível circular por eles. A zona "turística" é relativamente pequena (quando comparada com a extensão total das galerias) mas é de visita agradável. São túneis largos, escavados à força de explosivos, com muitas "janelas" viradas para Espanha, à qual estão apontados grossos canhões. Aqui e ali há conjuntos de manequins fardados a rigor, recriando cenas daquela época. Infelizmente, esta visita já foi feita olhando para o relógio e com a preocupação de ter de voltar para a carrinha, o que foi uma enorme pena. Cá fora, a vista da zona de espera voltava a ser grandiosa e animada por alguns macacos.

Patriotismo britânico
O último ponto da excursão ficava "uns metros" mais abaixo, já quase a chegar à zona urbana e era o "castelo mouro" que, na verdade,  é apenas uma torre. No entanto, naquele dia estava fechado e continuámos descendo até chegar ao centro, onde saímos. O passeio tinha valido bem a pena!

Explorámos as ruas "traseiras" onde há algumas coisas interessantes. São ruas sossegadas, a subir e descer onde, aqui e ali, surge uma casa mais "inglesa" e que se destaca dos prédios "funcionais".

Atravessámos a rua principal e fomos ver um resto de muralha onde há uma plataforma com vários canhões. Hoje, todos eles estão apontados a parques de estacionamento, armazéns ou pacatas ruas já que a linha da costa afastou-se imenso do ponto original.

Uma grande parte do território é conquistado ao mar e, de repente, parece estranho ver aquelas estruturas ao nível da rua, em pleno centro da cidade. Olhar para elas e perceber a pequenez do território antigamente dá-nos uma  boa ideia do heroísmo daquelas gentes (entre as quais muitos compatriotas nossos) que ali resistiam contra cercos e ataques e eram obrigadas a fazer a vida, numa estreita faixa de terra,  entaladas entre a montanha e o mar.

Canhões na rua
Cansados que estávamos, resolvemos ir beber uma cervejola num pub junto do palácio do governador. Era o típico bar inglês, instalado numa casa de traça britânica, e ali ficámos um bom bocado, saboreando o possível gosto de uma "pint" e alguns amendoins.

Quando precisei de ir à (minúscula) casa de banho reparei que nesta havia três máquinas de venda: uma de preservativos, outra de cuecas de mulher e, ainda, uma de... vibradores. Nem quero pensar nas coisas que se passam por ali numa sexta-feira à noite...

(continua)

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