segunda-feira, 8 de março de 2010

França/Marrocos 2010 - dia 5 (Arles) - parte 2


2010/03/08

Chegada a hora de almoço, deu-se início à difícil tarefa de arranjar onde comer. Dificil porque, aparentemente, as costumeiras cadeias de comida rápida (essas grandes amigas do turista) não estão presentes em Arles. A somar a isto, ainda houve que contar com o facto de a cidade estar a meio-gás e de muita coisa mesmo estar fechada. Cafés, bistros e restaurantes há-os sempre mas aquele ar demasiadamente arranjadinho deixa-me sempre intimidado. Um “Mac” é como casa de família quando se viaja.

Fui andando, andando, até ao momento em que dei por mim já fora das muralhas, a caminho da estação de comboios. Resolvi entrar num estabelecimento “utilitário”, misto de restaurante e café, muito parecido mesmo a um vulgar e sem graça café de bairro onde se juntam os homens para beberem umas “jolas” e verem a bola. Mandei vir um bife e lá matei a fome. Um prato, uma cerveja e um café por € 12,40 não me pareceu nada caro (para preços franceses) e ainda tive o bónus de ser servido por uma empregada de ar “batido” mas que, ainda assim, era giraça.

Acabado o repasto, havia que continuar a ocupar o tempo. Instalava-se já em mim aquela sensação de andar a repisar caminhos e, no fundo, estar mais a tentar arranjar formas de ocupar o tempo do que a desfrutar do passeio. O meu passe turístico estava ainda mais do que válido já que ninguém (com uma exceção) o carimbara, portanto, eu podia ir ver o que muito bem me apetecesse. Tentei entrar num museu mas estava fechado e logo me dirigi para a atração mais próxima: as termas romanas. Estas são, hoje, constituídas por enormes paredes pelo meio das quais podemos andar, caminhando pelo que seria, em tempos, o fundo dos tanques de banho. Como visita turística, acaba por ser desinteressante e em nada merecedora da compra de um bilhete ad hoc; como parte de um todo relacionado com o passado romano de Arles, naturalmente, ter-se-á que recomendar. Ainda assim, uma espreitadela a partir do exterior é capaz de nos dar uma ideia mais do que suficiente do conjunto.

O frio era bastante e os meus dedos, apesar de umas luvas “especiais” (curiosamente, compradas em grande necessidade em Bordéus, noutra viagem), continuavam a teimar em gelar e, para ajudar à festa, essa coisa inconveniente chamada bexiga começou a reclamar. Azar o meu que estava num monumento sem casa-de-banho...

Rumei em passo acelerado para o teatro romano - outro dos elementos que fazem parte do Património da Humanidade -, e que estava coberto de neve. Esta, servia de pretexto para que grupos de adolescentes se entregassem a alegres guerras de bolas de neves, ocasionalmente interrompidas para que alguém passasse. As tréguas duravam apenas o suficiente para que os neutrais se escapassem às principais linhas de fogo.

O teatro romano, tal como o coliseu, continua a ser utilizado para espetáculos e isso contribui, em muito, para o seu bom estado de conservação. Foi-lhe acrescentada uma interessante torre em madeira, que serve de “régie” para os eventos ali realizados e nota-se que há muita pedra com aspeto novo o que, verdade seja dita, se compreende pelo facto de algumas das bancadas serem reconstruções e não testemunhos originais. No teatro romano também não encontrei uma casa-de-banho e, infelizmente para mim (na altura), os meus escrúpulos sobrepuseram-se às necessidades do corpo, levando-me a rejeitar liminarmente uma mijinha contra um monumento “mundial”!

Visto o teatro – e perante a constatação de que os locais ainda abertos ou já tinham sido vistos ou não me interessavam por aí além, voltei a fazer o caminho para a estação de comboios, desta vez pela beira-rio, aproveitando para ir visitar um dos acessos monumentais que ficaram após a destruição de uma ponte antiga. Trata-se de umas plataformas (uma em cada margem), com estátuas de leões e uns terraços dos quais se tem uma vista bonita sobre a zona.

Uns metros antes descobri, finalmente, uma casa-de-banho pública, localizada numa zona destinada a apoio (gratuito) a autocaravanas. Oh, felicidade!

Na estação de comboios, aproveitei para confirmar horários e beber um ótimo “café noisette gourmet”, retirado numa máquina de venda automática, do tipo que existe em grande número nas estações ferrovárias francesas. Estas máquinas são a salvação para quem quer um pequeno momento de conforto já que, por “apenas” € 1,20, nos servem um copo de uma bebida quente que tanto pode ser chocolate, como o café atrás mencionado e que é, basicamente, café com sabor a noz (recomenda-se!).

Que fazer agora em Arles? Andar por ali, ver e rever locais, fazer tempo até chegar uma hora “decente” para voltar para o hotel... A cidade continuava no seu tom adormecido, com os estabelecimentos fechados, poucas pessoas nas ruas e, de um modo geral, um ambiente aborrecido. O chão continuava extremamente traiçoeiro porque as invisíveis placas de gelo estavam por todo o lado e, de vez em quando, lá era eu obrigado a recorrer aos meus bons reflexos para não me estatelar. Digamos que as escorregadelas eram a única coisa que quebrava a monotonia...

Atravessada a cidade e uma vez na rua principal “lanchei” uma toastanette acompanhada de um café num pronto-a-comer virado para a rua e que tinha a magnífica característica de ter ventiladores no teto da entrada de modo a formar uma espécie de barreira contra o frio. Era o melhor sítio onde estar :). A toastanette (se é assim que se escreve) é uma coisa muito popular em França e que consiste numa espécie de tosta mista mas em que o pão é torrado e coberto de queijo. Não é nada de especial mas, atendendo ao tipo de queijo, o sabor poderá ser interessante.

Seis da tarde e a monotonia (e o cansaço) apenas me indicavam um caminho: o do hotel. Arles estava, definitivamente, vista.

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