quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Gritar por silêncio

A cadeia de albergues "St. Cristopher's Inn" tem dois "pólos" perto da London Bridge, separados por poucas centenas de metros, e onde tenho ficado das vezes que tenho ido a Londres. Numa noite, após horas de animação passadas no bar existente no local onde estava hospedado, eu e dois colegas com os quais passava aquele fim de semana subimos até ao quarto para finalmente dormirmos um pouco. Eram quatro da manhã mas nem a hora tardia nem a mistura de cidra e cerveja pareciam ser suficientes para me colocar nos braços de Morfeu ao primeiro contacto com a almofada. Fiquei, portanto, vigilante. Pouco depois de já estarmos deitados, entraram três australianos (um rapaz e uma rapariga) para quem um quarto às escuras às quatro da matina não parecia ser indicação suficiente de necessidade de silêncio. Falavam e falavam como se mais ninguém estivesse ali e a mostarda começou a subir-me ao nariz (em Inglês "the mustard started coming up to my nose"). Recorrendo ao meu melhor sotaque londrino e apelando à possível força dos pulmões berrei no escuro um "Shut the bloody fuck up!!!" (qualquer coisa como "Calem a porra da matraca!!!") que teve o condão de imediatamente desligar as vozes dos hóspedes vindos dos antípodas. Foi como se uma coisa tivesse fulminado os irrequietos turistas. Ao fim de um minuto ouviu-se, baixinho, o rapaz dizer "I think we'd beter sleep" ("Acho melhor dormirmos").

De manhã, conforme iam acordando as pessoas, trocavam-se discretos olhares tentanto perceber quem se teria passado no escuro. Eu e os meus colegas ríamos por dentro...

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