quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Hoje não se paga


Estava passando uns dias em Paris com uma querida namorada que, tal como eu, era pessoa que gostava de ver monumentos e museus e, por ser a nossa primeira vez na capital francesa, tivemos a natural vontade de ir ao Louvre. O dia estava macambúzio, com nuvens baixas ameaçando chuva, ou seja, era o dia perfeito para ser gasto naquela visita.

Chegados à praça da pirâmide (cedinho, para evitarmos bichas) já lá encontrámos dez ou vinte pessoas que se enfileiravam a partir da porta da famosa estrutura de metal e vidro mandada fazer por Miterrand. Aproximou-se a hora da abertura e começou a pingar. Do "outro lado", via-se uma concentração anormal de funcionários, ao jeito de reunião de trabalhadores e sem que ninguém parecesse fazer questão de abrir a porta aos visitantes.

Passou-se a hora em que o museu devia abrir, acumulavam-se as pessoas à espera e... nada. Mais tempo passou, a chuva começou a engrossar e absolutamente ninguém se dignava a dar alguma informação a quem esperava cá fora. Lá dentro, continuava a reunião. Como os candidatos a visitantes eram de nacionalidades muito diferentes não se gerou a habitual conversa que há nestas ocasiões e onde toda a gente resolve deitar cá para fora qualquer tipo de irritação. Não, o povo estava sereno - pasmado mas sereno. No entanto, uma rapariga indignou-se e foi bater à porta da pirâmide exigindo explicações. Ao fim de algum tempo e muito a contragosto, ums mulher abriu a porta e explicou-lhe que os trabalhadores do Louvre estavam em greve por causa de diminuições de pessoal que tinham ocorrido.

Sabida a razão da longa espera, a preocupação dos turistas passou a ser se o museu iria, ou não, ser aberto. Novamente se esbarrou na total ausência de informação. Por esta altura, a chuva já era forte e à impaciência e cansaço ainda se veio somar todo o desconforto causado pelo involuntário duche. Apesar de termos um chapéu de chuva, pensámos ir abrigar-nos numa das áreas laterais da praça mas, ao reparar que toda a gente se mantinha irredutível na fila, achámos que, no fim, alguma recompensa haveria pelo nosso estoicismo. E ali nos mantivemos.

Ao fim de pelo menos duas horas de espera, reparámos que o grupo de trabalhadores "en colère" (ou seja, "em luta") que se reunia na pirâmide começou a dispersar. Finalmente, a porta abriu-se e foi dada ordem para entrar aos visitantes.

Para compensar os visitantes pelo incómodo ou - o que é mais provável -, para lixar a administração do museu, não foram cobradas entradas nessa manhã. Poupou-se em dinheiro o que se gastou em tempo e nervos...

Quanto ao museu: é magnífico, claro.

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