quarta-feira, 22 de abril de 2009

Islândia 2009 - dia 2 (Londres-Reiquejavique)

2009/04/22

Vir apanhar um avião a Londres e não aproveitar para cá ficar um dia é crime. Como sou um tipo honesto, lá fiquei umas boas horas na cidade. Saí da St. Cristopher's Inn de manhãzinha - tempo de ir comprar uns pensos para os calcanhares e por-me a caminho da zona de Chelsea. Não, não fui ver o estádio - se bem que o tenha avistado -, mas sim o primeiro dos meus dois pontos da a genda londrina: o National Army Museum.

Saído do Metro, andei um bocado perdido e tentei usar o GPS mas este só serve se soubermos o nosso destino. Enviei um SMS para Lisboa e recebi resposta pronta. Agora sim, com a ajuda de um colega de trabalho e do GPS, ia chegar ao museu.

Andava eu a caminho, aproveitando para tirar fotos, quando um carro da polícia pára à minha frente. De dentro do veículo sai uma agente, de ar simpático, e dirige-se a mim. Bom-dia, blá, blá, que eu tinha sido visto a tirar notas e a fotografar uma ponte, que aquela zona era "sensível", se eu me importava que ela visse as minhas coisas. Não ia, portanto, ser sujeito a uma humilhante revista corporal na via pública mas tão-só da mochila, percebi logo (da mochila porquê? - pergunto-me). A agente, sempre muito calma e simpática, pergunta-me o que acho daquilo, se eu compreendo a razão de ser do seu procedimento. Digo-lhe que sim, que é uma história para contar aos amigos. Ri e concorda comigo, aproveita para perguntar se estou a gostar de Londres. Queixo-me do calor e ela concorda, acrescentando que, em Agosto, mal se pode respirar na cidade. A polícia, sempre mantendo a simpatia, abre a mochila, dá uma vista de olhos superficial e fecha-a com todo o cuidado. Informa-me de que já houve dois ataques às pontes da área e passa-me um recibo da busca! Exactamente: fiquei com uma prova da sua actuação para poder apresentar queixa (caso o pretendesse) bem como um papel explicando o tipo de situação. Como último pormenor, tive de indicar a minha etnia: como não era "branco inglês" nem "branco irlandês", escolhi "outro tipo de branco".

Enquanto coloco a pesada mochila às costas, ela olha, como quem se prepara para oferecer ajuda. Trocámos uns comentários de circunstância , não sem que a agente, primeiro, me indicasse o melhor caminho para o museu. Despedimo-nos, finalmente.

Recibo de busca
Que dizer disto?
Mais do que a acção em si mesma (que nem foi embaraçante pela ausência de pessoas no local), fica o modo como a agente lidou comigo: calma, simpática, sem qualquer autoritarismo,de uma maneira que nem sequer provocou irritação ou nervosismo em mim
. Em resumo, minutos depois nem me lembrava mais do assunto. Um acaso ou uma maneira de estar? Vou pela segunda hipótese, só pelo pormenor do "recibo"...

Quanto ao museu do exército (entrada gratuita), valeu certamente a visita. Inferior ao nosso em área e espólio da antiguidade (compensa com material da 2GM), tem a graça de nos permitir experimentar material (chapéus, capacetes, etc.). Não é todos os dias que podemos por na cabeça um genuíno capacete do Séc. XVII, da guerra civil inglesa! - uma visita a não perder.

Acabados os assuntos castrenses, rumei à outra margem do rio, até à antiga central de produção de electricidade de Battersea (o edifício na capa do álbum "Animals", dos Pink Floyd). Mesmo sem porcos a voar, é um "monstro" impressionante. Infelizmente, só é possível vê-lo a uma certa distância porque o parque em que se insere esté entaipado.

O calor em Londres era muito. No ar sentia-se uma certa poluição. A verdade é que entre os 26º de Lisboa e aquilo, devia haver pouca diferença. Ora, andar com duas camadas de Polartec, um blusão e uma mochila e levar com uma caloraça daquelas não é coisa agradável! E com esta, já é a segunda vez que a capital britânica me deixa, se não queimado, pelo menos "aquecido"...

Uma coisa boa que se nota agora é que os preços em Londres, com a desvalorização da Libra estão, finalmente, próximos do normal. Já não custa beber um café ou uma cerveja e sentimo-nos mais próximos dos locais bem como com mais acesso aos bens.

À tarde, apanhei a camioneta para o agradável aeroporto de Standsted. O caminho é longo - uma verdadeira viagem que nos permite ver os subúrbios (imediatos e mais distantes) da cidade. Aqui (na camioneta), o problema era a frescura do ar condicionado. Acabei o dia pasteurizado, suponho :)

À noite, voo para Reiquejavique. De uma ilha para outra. De uma cidade "familiar" para outra "misteriosa"...

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