terça-feira, 28 de abril de 2009

Islândia 2009 - dia 8 (Keflavík - Londres - Lisboa)

2009/04/28

O dia nasceu péssimo em Keflavík: chuvoso, completamente nublado. Um dia óptimo para partir, portanto. A desvantagem é que não vou poder ver o país, lá de cima. À vinda o avião passou sobre um glaciar e a vista era linda. Pena... Quanto ao resto, confesso já estar farto da Islândia e das suas imensidões monótonas. Aqui, só a natureza interessa e se esta se revela abaixo do esperado, então, há que bater asas. Sinto a falta da presença de património feito pelo homem...

Conto as coroas islandesas que me sobraram. Separo dinheiro para a colecção de numismática de um amigo e, com o que resta, tento comprar um café e um bolo. Como o dinheiro só deu para o café, lá fiquei eu com mais uns trocos sem uso.

Passadas as formalidades, procuro recordações. Vou de pé atrás por lembrar-me de lojas que vi antes. Não se vêem coisas interessantes. Não venho a esta terra remota para comprar roupa de lã (tenho disso em Portugal), nem para comprar piroseiras em vidro ou ridículos bonecos de "trolls". As lojas de recordações são uma treta, aqui. Acabo por comprar três pacotes de peixe seco e fazer figas para que os destinatários das prendas tenham coragem de levar aquilo à boca. Também consigo gastar as últimas moedas que tinha num abençoado iogurte.

Na bicha para o avião estão os ingleses que partilharam comigo a pousada em Hvoll. Reparo, pelo canto do olho, que também estão a olhar para mim e a comentar a enorme coincidência.

O voo corre optimamente, ie, vou o tempo quase todo a dormir. E ainda bem que assim foi porque a janela do avião ia embaciada (por fora) e a "simpática" que me deu o bilhete fez-me o especial favor de sentar-me junto à asa. Quando, a certa altura acordei, pensei que estava a ver uma ilha com um monte mas era, afinal, o reactor... :)

Chegado a Stansted, tenho de esperar pela camioneta para Luton. Enquanto mato o tempo, uma cinquentona indiana passa por mim com um caixote lançando, para um empregado do aeroporto, um "são moranguinhos!". "Bom apetite" responde ele, sorrindo. De vez em quando ouvem-se portugueses por estas bandas.

A viagem para o aeroporto de Luton é longa mas muito agradável. A Inglaterra é linda, com a sua exuberância de verde onde as amorosas casas típicas parecem estar ali para compor um quadro idílico. Voltas e mais voltas e sempre o mesmo ar tranquilo como se a qualquer momento nos fossem chamar para chá e biscoitos.

A camioneta é uma Torre de Babel onde se ouve Alemão, Inglês, Sueco, Russo, Italiano, Castelhano e só não se ouve Português porque não me apetece fazer figura de maluco. :)

Em Luton tenho de esperar mais de duas horas. É uma seca e obriga-me a levantar libras para me poder entreter a comer e beber.

Já na zona de espera para embarque, não resisto a comprar um livro. Olho para a estante de História na livraria e apetece-me trazer metade do que lá está. Opto por um livro sobre a segunda guerra mundial. Quando dou por mim, estou muito atrasado e tenho de ir a correr para o avião. Ainda consigo chegar a tempo e não ser o último.

Já estou a caminho de Portugal, para o bem e para o mal (rimou...).

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