sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Mas que horas são?!


2006


Madrid

Uma das coisas irritantes quando se viaja (nem tudo é bom, portanto) é a questão das horas. Há que ter o cuidado de, mal se chega a outra terra (ou mal se embarca - no caso do avião), mudar imediatamente a hora no relógio (e telefone, e PDA, e portátil e mais não sei o quê que possamos levar connosco e tenha um relógio). Quando nos esquecemos de o fazer, acontecem azares...

Quando fui à Argentina, tive de ir apanhar um avião a Madrid. Desembarcado em Barajas, aproveitei para apreciar a bonita arquitetura do terminal novo. Andei por ali, devagarinho, olhando para os pormenores até que, ao passar junto a um placard, reparei num aviso que indicava que o voo para Buenos Aires estava já em fase de embarque.

Todos os alarmes tocaram dentro da minha cabeça. Em Espanha a hora está adiantada! Para piorar a coisa, o meu avião estava noutro terminal para o qual eu ainda tinha de apanhar um metro interno do aeroporto e, para chegar ao dito, ainda tinha de dar umas boas voltas no terminal onde estava, subir e descer escadas e rezar, rezar fortemente para que conseguisse apanhar um transporte e ainda chegar a tempo. Pernas para que te quero!

Tudo conseguido no limite, cheguei à fila de embarque ainda a tempo já que esta era grande e estava demorada. Safei-me, portanto, de perder um voo intercontinental. E vai uma...


Buenos Aires

Argentina, Uruguai e Brasil estão todos juntinhos mas nem por isso acertam pelos mesmos ponteiros.

Eu tinha ido passar dois dias e meio ao Uruguai. Saira de Buenos Aires e atravessara o Rio da Prata de barco. Ao aproximar-me do porto de Montevideu, mudei para a hora local (+1). Durante todo o passeio não me lembrei mais deste pormenor.


Dois dias mais tarde, ao voltar à capital argentina, vindo da Colónia do Sacramento, continuei sem me recordar da alteração. A meio da viagem, começo a olhar para o relógio e a notar que se aproximava a hora da camioneta que eu queria apanhar para ir a Puerto Iguazu. Se perdesse aquela, iria ter de passar o resto do dia e a noite em BA pois já só havia outro transporte no dia seguinte, logo de manhã.


A ansiedade começou a instalar-se em mim mas eu ainda sentia ter alguma folga. Ao atracarmos, o processo de desembarque (e alfândega) não foi dos mais rápidos e a folga começava a diminuir perigosamente. Quando finalmente me vi com a minha mochila disparei em direção à central de camionagem que, por sorte, não ficava muito distante do terminal dos barcos. E ali fui eu, num misto de corrida e marcha forçada, carregando umas boas dezenas de litros às costas (tudo o que era necessário para três semanas por aquelas paragens).

Com os bofes já de fora entro na central e procuro o guichet da companhia responsável pela "minha" camioneta. Em quase desespero, vendo-me na eminência de ficar com o planeamento da viagem baralhado, e para poupar cada precioso segundo, recorri ao famoso "portunhol" (no meu caso, de qualidade acima da média porque vejo muitos filmes). Fiz o pedido e o pagamento, sempre em ritmo acelerado, perante o olhar admirado da funcionária. Já com o bilhete nas mãos, procurei o primeiro écran que me indicasse para onde devia ir. Quando encontrei um, percebi o porquê do espanto da mulher que me atendeu: ainda faltava uma hora. Eu tinha-me esquecido de repor a hora argentina ao cruzar o rio!

Foi o alívio... de repente, tinha uma horinha inteira para descansar, dar uma volta pelas lojas e observar as pessoas. E vão duas...


Foz do Iguaçu


Saído de Puerto Iguazu, eu tinha atravessado a fronteira para ir ver o lado brasileiro das famosas cataratas locais. Após a visita a estas (que é relativamente rápida), resolvi dar uma volta por Foz do Iguaçu, a cidade que fica próxima. Sabendo que havia por ali uma grande barragem que era um ponto de visita aconselhado, apanhei um autocarro para a dita. Uma vez na receção do complexo, pude assistir a um filme sobre o grande empreendimento (vaiado por dezenas de argentinos por ser falado em Português e legendado em Inglês), findo o qual a ideia era apanhar um transporte gratuito que me levaria à barragem propriamente dita onde poderia visitar o interior da mesma.


Como aquela gente era quase toda de excursões, entraram nos seus autocarros e partiram para a barragem, deixando-me ali praticamente sozinho. Sentei-me, andei para trás e para a frente, fui à loja de recordações e, quando já passava da hora do transporte, resolvi perguntar, no balcão de informações, o que se passava. Era simples: eu tinha-me esquecido, mais uma vez, de mudar a hora e o autocarro já era. O próximo, só dali a umas horas. E vão três...

À terceira, a lição foi aprendida e nunca mais me esqueci de mudar a porcaria da hora. Até mais ver...




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