sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O brasileiro friorento

2006/06

Eu sou friorento. E calorento. Basicamente, estou quase sempre mal, a menos que a temperatura e a humidade estejam ali, no pontinho certo (que eu ainda não consegui perceber qual é). Mas há quem seja pior...

Em Milão, fiquei na pousada de juventude local e, naturalmente, partilhei uma camarata com mais pessoas. Uma delas era um rapaz brasileiro, filho de uma portuguesa e de um italiano e que andava a visitar os países dos seus pais. Já tinha estado em Portugal e, agora, passeava-se por Itália.

Tínhamo-nos falado pela primeira vez, de forma rápida, quando, à noite, ele me cumprimentou ao ver que eu lia algo em Português. Na manhã seguinte, estava eu na "cantina", sentado e preparado para atacar o pequeno almoço, quando ele apareceu e veio sentar-se em frente de mim. Não achei aquilo nada estranho, mesmo tendo em conta que o espaço, àquela hora, estava com pouquíssima gente. Sempre era uma oportunidade para conversar já que, até ali, nada mais tinha feito do que as esperadas trocas de curtas palavras em Inglês ou tentativa de Italiano.

À minha frente estava um rapaz na casa dos vinte, com alguma barba, um pouco com ar de "marrão" e uma parka verde fechada até ao último milímetro do fecho. Tudo quando pudesse estar fechado ou apertado, estava! Ele não esperou que eu manifestasse qualquer estranheza pela sua indumentária em pleno mês de junho mediterrânico e avançou uma óbvia explicação para a roupa com que se vestia: Tenho frio! Tenho tanto frio!

Como já escrevi, era junho, um junho ameno que dava vontade de passear e, mais do que isso, estávamos dentro de um edifício que, não sendo um luxo, tinha toda a comodidade de um estabelecimento hoteleiro (ainda que para gente "tesa"). Entre raparigas despidas como só elas conseguem e rapazes em camisolas sem mangas, ali estava aquele ser tropical, vestido para enfrentar um frio dia de inverno e nem o café, nem as bolachinhas, nem o chá o conseguiam fazer sentir-se menos "gelado".

Não o voltei a ver (devia ter-se ido embora nesse dia), mas nos dias seguintes divertiu-me imaginar aquele rapaz passeando-se ao sol e tremendo de... frio.

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