quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O fotógrafo no comboio

2005/11

Numa viagem de comboio para Lausanne (Suíça), um homem com uma máquina fotográfica sentou-se à minha frente e pediu para me tirar uma fotografia. Andava ele arranjando material para uma exposição dedicada a "pessoas que andam de comboio" (na Suíça vos garanto que são muitas). Achei piada e disse-lhe que sim, lá tendo me esforçado para parecer natural e não pousar para o "boneco". A obrigatoriedade (se não legal, pelo menos ética) de pedir autorização às pessoas para lhes tirar uma foto tem esta desvantagem: perde-se a naturalidade.

Tirada a fotografia, o artista pediu-me para lhe escrever alguns dados numa folha onde já constavam várias outras assinaturas e, também, indicar o meu endereço eletrónico para que ele me avisasse se a minha imagem tivesse sido selecionada para a exposição. Como nunca mais me disse nada, suponho que o meu rosto não tenha sido escolhido para abrilhantar uma qualquer parede.

Cumprida a "formalidade", trocámos algumas frases e, ao saber de onde eu era, o homem disse-me que na Suíça havia muitos portugueses (como se alguém não o soubesse). Fez uma ligeira pausa e acrescentou "Talvez demasiados para si, não?".

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