quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O francês lusófilo


2010

O albergue de juventude de Génova (Itália) fica no cimo de uma grande encosta que exige coragem para se subir a pé. Mas, uma vez lá chegados, a vista que se tem a partir do enorme terraço que antecede a entrada no desinteressante edifício compensa-nos um pouco pelo tremendo esforço. Uma vez lá dentro, temos à nossa disposição um prédio com um certo estilo de hospital, corredores longos e despidos e a partir dos quais se tem acesso a uns quartos amplos cuja única mobília são uns beliches metálicos e uma mesinha debaixo de umas grandes janelas.

Quando cheguei, tive a agradável surpresa de o quarto que me havia cabido em sorte apenas ter lá mais uma pessoa, i.e., estavam lá as roupas dela. Tive, portanto, todo o à vontade para tratar de mim antes de me deitar.

Como tinha várias baterias para carregar, ocupei a tomada que me cabia em sorte e ainda uma na outra ponta do quarto que, naturalmente, seria "território" do hóspede ausente.

A meio da noite, ao pressentir que entravam no quarto e que procuravam onde ligar uns fios, levantei-me e fui desligar as minhas coisas tendo na altura, no escuro, trocado umas rapidíssimas palavras de ocasião.

No dia seguinte, ao fim da tarde, vi finalmente o meu colega de quarto que me cumprimentou timidamente. Lá se trocaram mais umas palavras e fiquei a saber que o moço era francês (curiosamente, eu estava a ler um livro na sua língua mas ele não o tinha notado). Ao saber que eu era português, imediatamente ficou o rapaz muito entusiasmado porque... não só falava o nosso idioma (muito razoavelmente) como também era um autêntico lusófilo. Lá conversámos, ficando eu a saber que ele estava em Génova para uma conferência internacional sobre nanotecnologia e que tinha grande vontade de vir viver e trabalhar para Portugal. Disse-lhe que, em Braga, se estava a construir um centro de investigação, o que o deixou bastante curioso.

No dia seguinte, apanhámos o mesmo autocarro que descia do monte para o centro de Génova e lá continuámos a nossa conversa, sempre com ele elogiando Portugal. A certa altura, perante uma dificuldade dele em se expressar, comecei a falar em Francês, para espanto deste simpático gaulês. Falámos mais um pouco até que a conversa morreu e, quando ele saiu do autocarro, nem sequer se despediu...

Pergunto-me se já estará a viver o seu sonho português...

Sem comentários:

Enviar um comentário

Textos relacionados