sábado, 10 de setembro de 2011

O monge no WC


Nunca fui de alinhar em espiritualidades e sempre achei palermas aquelas tendências new age que nos tentam convencer da existência de "energias" e planos de consciência alternativos. Mas, se por princípio sou imune a estas coisas, ainda mais o sou quando vêm carregadas de complexos que pretendem ver noutras culturas uma espécie de superioridade moral e ética, uma santidade inerente a crenças religiosas mais "puras" e que, supostamente, desmascaram a nossa desonestidade materialista.

Dizia o Karl Marx que "O homem faz a religião, a religião não faz o homem". E devemos ter sempre como guia esta ideia de que, na base de tudo, estão sempre os homens que lidam com a "fé". Homens, como quaisquer outros, com defeitos, virtudes, desejos e necessidades como qualquer mortal.

Uma vez, estava eu no aeroporto de Kuala Lumpur, aguardando o embarque para Hong Kong e senti vontade de ir à casa de banho. Ao abrir a porta, dou com um monge budista, defronte de um urinol, afastando as pernas, levantando o manto, chegando-se à frente e, com um "aaahhh" de prazer, começar a urinar. Era um daqueles monges já de alguma idade, que muita gente tanto gosta de apresentar como seráfica imagem de uma sabedoria que, por qualquer razão, se acha que só existe no Oriente. Ali, como certamente em tantas outras situações da vida, era um vulgar homem...

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