quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Ó tai iszi?

2003/04

Há uma coisa que me acontece com uma frequência fora do normal: perguntarem-me coisas na rua. E isto é algo que ocorre em qualquer parte, por mais deslocado que eu pareça estar relativamente ao ambiente. Por qualquer razão que me escapa, devo ter um ar de quem está informado e é capaz de uma pequena atenção...

Em Tóquio, quando estava hospedado num típico hotel - com quartos com piso de tatami onde se dormia... no chão -, ao sair da casa de banho que havia no corredor (casa de banho à japonesa, com duches "sentados" e banheira comum), uma indiana olhou para mim e perguntou "ima nanji desu ka", o que, traduzido, quer dizer "que horas são?". Olhei para ela espantado por, sendo eu branco e ela indiana, a pergunta me ter sido feita em Japonês. De uma forma talvez um pouco antipática, perguntei-lhe se não falava Inglês, o que imediatamente a fez repetir a pergunta (com um certo ar atrapalhado), tendo eu lhe dado a resposta desejada.

Como no Japão muita coisa parece funcionar ao contrário, se a indiana no hotel me falou em Japonês, um japonês na rua resolveu falar-me em Inglês, i.e., na sua versão da língua inglesa. Passeando eu num parque, um jovem homem que com outro fazia umas filmagens chegou-se a mim e perguntou "ó tai iszi?", o que só teve como reação minha aquele ar que pomos quando ficamos à nora. O homem repetiu a pergunta: "ó tai iszi?". Valeu-me que, desta segunda vez, acompanhou os estranhos sons com um toque no pulso o que me salvou de ficar ali a fazer figura de parvo. "What time is it?" disse eu em jeito de quem confirmava a pergunta e o corrigia. Lá lhe disse, pois, as horas, para grande satisfação sua por ter comunicado com um "gaijin" (estrangeiro).

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