sábado, 1 de outubro de 2011

2500 km por Portugal - parte 1 (2011/10/01)


Acesso ao Fluviário
O Fluviário de Mora

O plano era sair de madrugada e ganhar a estrada no fresco da manhã mas a minha desorganização impediu-me de ter tudo pronto de véspera e foi preciso gastar três horas para “fazer as malas” e deixar a casa convenientemente preparada para a ausência do dono. Ainda assim, o dia apresentava-se agradável para viajar quando saí porta fora, mais carregado do que mula de feirante. Passear de carro tem algumas vantagens e poder levar uns quantos pequenos luxos atrás (como o portátil ou uma cadeira de praia) é um deles, portanto: mala cheia.

Tanque cheio, pneus cheios, vidros lavados e ala que se faz tarde rumo a norte. Subi para Vila Franca de Xira e aí atravessei o Tejo, apontando à enorme reta que atravessa Porto Alto e penetra lezíria adentro. Estradas com pouco movimento até entrar na via para Coruche onde as ultrapassagens se sucediam. Talvez os habitués já não tenham vagar para apreciar a bonita paisagem ribatejana mas, por mim, não há pressas...

Antes de chegar a Coruche tomei a estrada para Mora, sempre assistido pela imperativa voz feminina do GPS. A paisagem tornou-se consideravelmente mais acidentada e arborizada numa mudança que me agradou após muitos quilómetros de retas e campos agrícolas.

Ao chegar a Mora e entrar no centro imediatamente vi uma placa a indicar a jóia da coroa daquela zona: o Fluviário. Após anos ouvindo rasgados elogios ao aquário alentejano não hesitei em fazer dele a minha primeira visita nesta viagem ao constatar que ficaria no meu caminho rumo à Beira Interior. Passei rapidamente pelo coração da vila seguindo as várias placas indicadoras. Devo dizer que a sinalização relativa ao Fluviário é um exemplo a nível nacional: é, pura e simplesmente, impossível ter, sequer, uma dúvida sobre o caminho a seguir. Repito: um exemplo, num país onde, sistematicamente, uma pessoa se vê às aranhas para conseguir dar com monumentos e locais de interesse.

À saída de Mora - e reforçando a ideia da importância que o aquário tem para a localidade -, passamos por uma estrada com uma longa placa central inteiramente decorada com sinais com desenhos de peixes, naquilo que deve ser uma das estradas mais divertidas por onde passei. A partir daí, entra-se pelo campo e nele se circula durante alguns quilómetros até apanhar o desvio para a barragem junto da qual está o Fluviário. Este é um edifício branco, moderno, mas seguindo a forma de uma casa popular (bem aumentada) e, talvez por isso, apesar do tamanho, não parece deslocado no local.

A entrada no aquário não é barata (€ 7,30) mas há que pensar que possa ser o preço justo para manter o espaço. Uma vez lá dentro, o que se nos depara é uma espécie de longa rocha em cuja base se vão sucedendo aquários com diversas espécies piscícolas que habitam os nossos rios. Há basta informação sobre o que vemos: os habitats, as características, as origens, etc., mas é difícil que não acabemos por ignorar as informações encantados que estamos com os peixes, ali tão perto de nós, alguns vindo encostar-se aos vidros como que querendo cumprimentar-nos.

Alguns tanques são mais interessantes do que outros por terem peixes maiores ou mais vistosos. Na minha visita, o que mais êxito parecia ter era aquele onde três ou quatro raias se passeavam. Por estar à altura da nossa cintura (os tanques são abertos em cima) as pessoas sentem-se mais próximas dos seres que nele vivem e as raias parecem reagir à aproximação dos visitantes encostando-se ao vidro (e mostrando o seu lado de baixo) e também, dando voltas perto da superfície, o que as faz sair um pouco da água. Juntou-se um pequeno público vendo aqueles movimentos que por vezes pareciam ameaçadores. A vontade de lhes tocar era grande em muita gente.

Após as raias, estão as lontras. Estas, ao contrário das suas congéneres lisboetas, não têm nomes atribuídos. Também são de uma espécie diferente e estão completamente separadas de nós por um alto vidro o que nos faz vê-las ao longe e sem aquela simpática proximidade que temos no Oceanário. A criançada, claro, gosta sempre de ver os adoráveis bichos – com ou sem vidro à frente.

Saindo do edifício, damos com uma grande zona em obras e onde se prepara a réplica de um lago alentejano que servirá de futura casa às lontras. Já lá estão alguns adereços mas a coisa ainda pode estar demorada. No fim do passadiço, reentramos no edifício, passando debaixo de uma cascata que serve um tanque mais abaixo habitado por trutas (que são vistas do interior). No grande calor que se sente, os muitos salpicos que caiem em cima de nós são uma benção...

De novo no interior, temos uma sala dedicada aos pequenos mamíferos que vivem junto aos rios. Ao meio, um expositor serve de casa a uma qualquer criatura que, naquele momento, resolveu não se mostrar a ninguém. Talvez estivesse numa merecida sesta após almoçar algumas das minhocas que lhe tinham posto num prato junto à porta de casa...

Mas... o Fluviário não se dedica, apenas, às espécies existentes em Portugal. Também há uma zona com vitrinas com bicharada estrangeira. Temos piranhas, uma tartaruga “Mata-Mata” (cujo focinho parece uma mistura de pedra e espinhos), diversos peixes tropicais (alguns bem curiosos), uma anaconda e, no fim, um aquário com tantos peixes que quase parece um evento social.

Para finalizar, há uma zona com painéis multimédia e, claro, uma loja. Quem quiser aproveitar para almoçar, tem um restaurante, também.

Saíndo do Fluviário vale bem a pena andar cem metros até alcançar o “complexo” que inclui um parque de merendas, parque de campismo, bar, parque infantil, etc... e, o mais importante de tudo, uma praia fluvial. Tudo isto no meio de um bosque e junto a uma albufeira. O cenário é muito bonito do lado do lago.

Como estamos na estrada que passa por cima das comportas, ainda podemos, com bastante segurança, observar como funciona uma represa, vendo os dois lados da coisa: o lago e os campos agrícolas. Há ainda um estreito pontão sobre o qual podemos caminhar e que avança umas dezenas de metros no lago.

Mesmo para quem não se sinta muito atraído pela ideia de ir ver peixes a dar à barbatana, toda a zona onde o Fluviário se encontra é suficientemente agradável para valer uma deslocação. Na pior das hipóteses, respiramos o ar do campo e limpamos a vista de prédios...

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