segunda-feira, 17 de outubro de 2011

2500 km por Portugal - parte 3 (2011/10/01)

O Tejo, belo e sereno
Belver, a pintura do Tejo

Após uma viagem pela paisagem típica do Alto Alentejo - cujo único ponto de verdadeiro destaque foi uma bela capela à saída de Avis -, acerquei-me de Gavião, tendo decidido não entrar na vila mas sim encaminhar-me logo para Belver onde esperava fazer uma caminhada denominada "Arribas do Tejo".

A estrada para Belver é sinuosa mas, para o fim, começa a revelar-nos, aqui e ali, uma paisagem lindíssima que nos enche de vontade de chegar ao fim da via para podermos parar em segurança e apreciarmos a vista. Com efeito, Belver tem um nome que denuncia imediatamente o que sente o forasteiro (e não só!) quando chega àquele local. Cortado por uma ponte, o Tejo enche-se de um profundo azul emoldurado por altas e verdes margens (a montante) e pelas casas da vila beirã a jusante. Do lado sul, anuncia-se a praia fluvial do Alamal.

Mal atravessei a ponte, parei no primeiro espaço onde tal me foi possível e atravessei a ponte até meio para encher os olhos com a paisagem. O nosso maior rio é uma pintura naquele local e apenas o excessivo sol me impediu de me deleitar totalmente olhando para a vila que cavalga o monte culminando no seu castelo (que é monumento nacional).

Estacionei o carro na praça principal da vila, junto a uma igreja e onde uma casa apresentava curiosos elementos medievais (como uma cabeça esculpida na parede). Facilmente me apercebi do caminho para o castelo e tomei-o monte acima tendo lá chegado num par de minutos. Bem... isto teria sido assim se não me tivesse sentido tentado a ir parando para olhar para trás e apreciar o "belver". Lá em baixo, o tapete azul e a ponte, iluminada pelo sol...

O castelo de Belver não apresenta nenhuma característica que o faça sobressair da média existente no nosso país mas está relativamente bem cuidado e - o que é pouco comum -, não tem portas fechadas, sendo possível espreitar todos os recantos da fortaleza, mesmo que isso só nos sirva para contemplar tralhas armazenadas ou chocar com teias de aranha. A única exceção a esta "abertura" foi a capela existente ao lado da torre de menagem e que se encontrava fechada (calculo que por questões de horário).

A entrada do castelo
Subi à torre, passando por dois ou três andares até chegar ao telhado onde a vista é a mais desafogada que se possa ter naquelas paragens. Quando desci (e após experimentar umas moderníssimas instalações sanitárias - sempre bom sinal), fui informado por um guarda (que eu não havia visto antes) de que o castelo ia fechar. Deixei por isto de dar uma volta pelas muralhas mas não senti que isso prejudicasse muito a visita.

Desci o caminho até chegar onde tinha deixado o carro e resolvi ir dar uma volta até um miradouro (que fica mais abaixo). Este, é um sítio agradável, com sombra e a presença de um cruzeiro que parece ser antiquíssimo. É daqueles locais bons para namorar, por exemplo.Quanto à vista, era bela, claro, mas não acrescentava nada a quem vinha do castelo.

De volta ao carro, e por ser claramente tarde para fazer os diversos quilómetros da caminhada que eu tinha em mente, resolvi rodar até à margem oposta e ir ver a praia fluvial. Ao chegar lá, apercebi-me da existência de um passadiço em madeira acompanhando a margem até junto da ponte, trajeto este que faz parte do roteiro das "Arribas do Tejo". Posso dizer que um passeio pela margem sul do Tejo, ali e àquela hora (fim de tarde) é qualquer coisa do mais relaxante que se possa imaginar. Pelo caminho, vai-se fotografando mil vezes a imagem do castelo refletida nas águas, as aves, as árvores, os reflexos do sol no rio, a ponte...

Ao chegar à ponte, voltei atrás, repetindo o caminho com um prazer que em nada diferia do inicial. Uma vez na praia, sentei-me durante algum tempo, lendo, bebendo (€ 0,85 por uma imperial) e contemplando a noite a descer sobre Belver. Aqui e ali, cortando o sossego, passava um comboio na linha pertinho do rio e eu ficava pensando nas belezas que se deverão ver naquela viagem ao longo do Tejo. É coisa para fazer, um dia mais tarde.

Passadiço na margem sul do Tejo
No local, numa zona relvada e que, inclusivamente, tem um ou dois patamares, várias tendas se juntavam, quase todas pertencentes a um grupo de motociclistas que ali se reunia para passar o fim de semana. Junto há umas instalações do INATEL (que me pareceram estar encerradas) mas, calculo, a preferência das pessoas deve ir para a graça de acampar ali, a metros do bem tratado areal.

Quando a noite já estava perfeitamente instalada, acabei de por de parte a ideia de também eu acampar ali, ideia que me tinha surgido aquando do passeio junto à margem. Peguei no carro e ganhei a estrada rumo a Castelo Branco, observando no retrovisor a bonita imagem do solitário castelo, lá no cimo, iluminado.

Belver tinha sido uma primeira - e excelente -, surpresa



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