sábado, 29 de outubro de 2011

Um Tarzan no GP de Macau

1996

O Grande Prémio de Macau é uma daquelas provas automobilísticas que faz parte do imaginário de quem aprecia "as coisas dos carros".

Estando no então "território chinês sob administração portuguesa" e tendo a oportunidade de arranjar bilhetes gratuitos por via de cunhas, não perdi a hipótese de assistir à prova bem como, previamente, aos treinos, nos dias que antecederam a corrida.

O meu lugar era no fim de uma reta, antes do Hotel Lisboa e tinha-me sido prometido por quem já tinha experiência da prova, um fartote de acidentes já que os carros, ali, eram obrigados a fortes desacelerações antes de virarem à direita e era comum acontecerem "precalços"...

Na altura, André Couto era a grande esperança lusa na corrida e juntava à representação da nação o facto de ser filho da terra. Se bem me lembro, a coisa não lhe saiu particularmente bem naquele ano. Mas, ali estava eu, sentado nas bancadas, começando a perguntar-me que raio de piada havia em ver, de dez em dez minutos, passar uma série de carros para, depois, ficarmos para ali à seca quando, por força de me entreter a brincar com a minha máquina fotográfica, esta me cai das mãos e passa pelo meio dos degraus que compunham a bancada (que era do tipo desmontável), indo aterrar uns bons metros mais abaixo numa zona de terras empapadas.

A máquina não era grande coisa mas era a que eu tinha e, ainda por cima, onde estava o rolo com as fotos daquelas minhas férias. Nem pensar em deixá-la perdida à espera que um caranguejo a encontrasse...

Levantei-me e, tentando não perder a referência a onde estava sentado, saí das bancadas. Expliquei a um segurança filipino o que tinha acontecido, este ficou um pouco à nora mas lá me deixou passar para as traseiras das bancadas onde me esperava uma selva de "tubos" de bambu. Como quem vive na selva é o Tarzan, achei que a única maneira de chegar à minha máquina seria mesmo imitar o homem-macaco. E por ali fui eu, na invejável forma física dos vinte e poucos anos, balançando e rodopiando pelo meio do "canavial" - qual trapezista, por vezes -, até chegar ao ponto onde tinha avistado a câmara. Fielmente esperando pelo dono, lá estava ela, meio enterrada no lodo. Recuperei-a e refiz o caminho, desta feita com mais calma.

No fim, esqueci-me de bater no peito mas devia tê-lo feito para comemorar o único momento emocionante do "meu" Grande Prémio de Macau.

Ah... e acidentes? - nem um...

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