domingo, 23 de outubro de 2011

O ladrão de almoços

Este teve o que merecia...
2006

No parque das cataratas de Iguaçu, mais concretamente no lado argentino, há um engraçado animal que se passeia por entre os turistas, habituado que está a beneficiar da generosidade dos visitantes. É o Coati (ou Quati), um mamífero aparentado do Guaxinim.

Como seria de esperar, um dos locais preferidos dos coatis é a zona de refeições do parque...

Após muito fotografar e cansado de caminhar e subir e descer escadas para me banhar (literalmente, quase) em toda aquela beleza das cataratas, havia que ir retemperar forças. Dirigi-me ao "restaurante" (uma espécie de café que serve sandes e refeições rápidas) e comprei uma sanduiche e uma água fresca. Podia ter-me sentado nas mesas que havia no interior mas, que raio, estava no meio da natureza e achei muito melhor abancar no exterior, onde existem diversas mesas à disposição de quem ali queira tomar as refeições.

Com o tabuleiro na mão, dirigi-me para a mesa escolhida e sentei-me. Quando ainda estava a gozar o relaxamento do corpo, vejo um coati caminhando na minha direção, ainda a uns metros de distância, seguido pelos esperados sorrisos de quem por ali andava. O bicho era muito engraçado e deixei-me ficar olhando para ele. Ao chegar junto de mim, passa por trás e, com a maior das desenvolturas, sobe à cadeira ao lado da minha e lança, da forma mais despudorada, as mãos à minha sandes (que ainda estava no plástico). Eu estava a ser roubado por um animal! Num instante, decidi lutar pelo meu almoço e agarrei como pude o pacote da sanduiche. Pois a criatura não desistiu e, por uns brevíssimos instantes, tivemos um macacu nu e um coati lutando por alimento, cada um puxando para o seu lado. Para minha vergonha, o coati venceu...

À volta, os turistas riam e tiravam muitas fotografias ao pequeno ladrão que, com a mesma calma com que chegou, partia agora levando consigo o meu almoço.

Fiquei irritado com a situação e, sobretudo, comigo mesmo, que tinha lido num guia turístico um aviso relativamente a situações destas. Sim, eu não era um caso isolado mas sim mais uma vítima de uma rede de larápios de quatro patas que recorre ao seu focinho laroca e ar engraçado para distrair os incautos visitantes e lhes subtrair a comida. Maldição!

Decidi ir reclamar ao restaurante. A verdade é que os coatis andam com etiquetas do parque e, portanto, ladrões que são, são-no com a complacência das autoridades. :)

Disse ao empregado que estava de serviço, um índio, que um coati me tinha roubado o almoço e que a responsabilidade era deles porque os animais lhes pertenciam e deixavam-nos andar na zona das refeições. Que não, que não... Ah sim, e quero uma nova sandes. Que não, que não... Resolvi desistir. Não iria acrescentar à humilhação de me deixar roubar por um animal (nem um macaco era...) o ridículo de estar a discutir em público. Fiquei-me pela garrafa de água e continuei o passeio, que não há nada melhor para desanuviar do que caminhar.

Filho da mãe do coati!

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