terça-feira, 18 de outubro de 2011

Os Chineses e os pelos

Quem já tiver dado por si olhando para aquelas pinturas "tradicionais" que adornam as paredes dos restaurantes chineses talvez já tenha reparado que as figuras masculinas lá presentes têm sempre longas barbas. E se o espírito de observação for algum, já deve também ter notado que as pilosidades faciais dos deuses chineses estão em total contraste com as caras imberbes dos empregados. Pois é: é que uma grande parte dos "chineses" não tem barba ou, quando muito, tem-na numa versão muita rala, quase tipo "buço de adolescente". Ora, isto leva a duas coisas: a primeira, que sempre que lhes aparece um pelo na cara, eles o estimam como coisa de grande valor, vendo-se homens ostentando orgulhosamente um ou dois pelos emergindo de uma verruga no queixo ou de um sinal na testa; a segunda, eles apreciam as nossas barbas ao mesmo tempo que nutrem um curioso interesse pelos exóticos pelos no nosso corpo...

Uma vez, estava eu cirandando pelas bancas de uma feirinha na cidade de Zuhai (junto a Macau) quando um homem se aproximou de mim e, acompanhando com um sorriso um dedo apontado à minha cara, me disse "guuu biaa", o que queria dizer, em Inglês chaominesco, "boa barba". Ora, a dita não passava, sequer, do inglório resultado do meu desleixo pelo que compreendi ser grande a frustração do pobre homem por não ter o rosto enfeitado com pelos.

De outra vez, ia eu num autocarro em Macau, com as pernocas ao léu (como convém andar para se fugir ao enorme, e húmido, calor local) quando dois miúdos se sentaram à minha frente. Imediatamente a atenção deles se fixou, divertidamente, nos meus pelos. Olhavam, comentavam entre si em galhofa e pouco faltou para me pedirem uma amostra dos ditos, atenção que eu teria tido voluntariamente se me tivesse lembrado de tal naquele momento.

"guuu biaa"...

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