terça-feira, 1 de novembro de 2011

2500 km por Portugal - parte 5 (2011/10/02)

Casa de xisto em Martim Branco
Martim Branco


A ida a Martim Branco justificava-se, mais uma vez, por esta aldeia pertencer às “aldeias de xisto” e, embora já tivesse reparado que a localidade em questão não era particularmente interessante, tinha-me parecido minimamente merecedora de uma volta.

Após mais umas voltas e contravoltas pelo campo, acabei por chegar ao destino. Diga-se de passagem que aquilo que eu levava marcado para fazer era uma caminhada com início na aldeia mas, mal parei o carro fui invadido por uma mistura de preguiça e raiva ao forte sol e, cobardemente, entreguei as minhas armas logo ao primeiro tiro. Segui em frente com o carro, percorrendo vagarosamente a aldeia até chegar à “meta” do GPS e que era, no fim de uma estrada.

Cedo reparei que, ao contrário do que acontece em Sarzedas, Martim Branco tem, de facto, casas de xisto e até parece tê-las em número suficiente para se poder falar de efeito de conjunto.

Estive quase para sair do carro e ir dar uma voltinha até junto da ribeira, onde estão várias casas “bonitas” mas, como estava prisioneiro da lei do menor esforço, deixei a viatura deslizar, deslizar até sair da terra, completando, assim, uma visita quase relâmpago.

Vale a pena ir a Martim Branco? Talvez pela caminhada e só se um passeio do tipo for novidade. Caso contrário, talvez haja coisas muito melhores para fazer...

Apontei-me para Castelo Branco e lá fui, seguindo as indicações nas boas estradas. O caminho entre Martim Branco e Castelo Branco (tanta brancura que há por aquela zona) é bastante agradável, com momentos de paisagem grandiosa, até.



Castelo Branco

Um casarão "Português Suave"
Ao chegar à capital de distrito, a fome apertava-me fortemente e resolvi ir conhecer um dos centros comerciais da cidade: o Forum.

Quem tenha por hábito visitar centros comerciais já se deve ter apercebido de que acabam todos por ser iguais: as lojas são as mesmas, os comes e bebes são iguais, os cinemas são da mesma empresa. Ora, se é verdade que isto tira quase toda a “emoção” que pudesse existir, também não se pode negar que, onde quer que estejamos, já sabemos que, ao chegarmos, temos o que queremos. No caso, eu queria qualquer coisa rápida que me forrasse o estômago. Comi um hamburguer.

Satisfeita a necessidade alimentar e complementada esta com um revigorante café, guiei até ao centro de CB para gastar a tarde conhecendo a cidade. Não era a primeira vez que ali ia mas, desta feita, estava como turista mais “a sério”.

Passei pela estação de comboio, em frente da qual há uma agradável avenida com bastantes árvores. Conforme percorria a artéria, comecei reparando que havia várias moradias abandonadas ou perto disso. Casas dos anos 40 (?), de bom aspeto e que, vítimas daquele mal misterioso que assola a nação, estão entregues aos bichos. Foi um mau começo...

Deixei o carro por ali e dirigi-me para a zona central de CB, onde costumava estar o quartel de cavalaria. Os edifícios ainda lá estão mas, agora, afetos a serviços civis como, por exemplo, salas para acesso à internet. No cimo da grande “parada”, encontra-se um grande e moderno edifício que é a biblioteca municipal. A zona envolvente está arranjada em estilo contemporâneo. O todo deixa-nos uma agradável imagem de dinamismo.

O que é isto?!
Junto ao edifício principal do antigo quartel (que deve ser atravessado para ver os paineis de azulejos no interior, retratando diversas fases da vida militar) está uma “bizarra” construção: uma espécie de “grua” feita em cimento e acabando numa grande gaiola. Desconheço qual a ideia daquilo, se seria uma tentativa de miradouro sobre o Campo Mártires da Pátria ou simplesmente um delírio de alguém que escolheu a profissão errada mas o facto é que a construção é uma nódoa naquela área.

Defronte, fica o grande largo que tem, no topo, o famoso relvado com o nome da cidade escrito com flores. É um dos bilhetes postais da cidade. Na área pelo meio há agora diversos bares e cafés, com as respetivas esplanadas. Os nativos chamam àquilo “as Docas”, o que só pode merecer o comentário óbvio de que são docas... secas.

O Campo Mártires da Pátria está bem arranjado, com gosto, mantendo um ar de grande espaço aberto mas, ao mesmo tempo, servindo as pessoas. As construções existentes são recentes e agradáveis. Das vezes que tinha ido a CB, aquele local sempre me tinha parecido um vazio mas, agora, isso já não acontece.

Dei uma volta pela zona, voltando quase ao ponto de entrada para ir ver o bonito edifício “Português Suave” da Caixa Geral de Depósitos. Sou um fã deste estilo arquitetónico que a ditadura salazarista nos deixou. Criticada por muitos (provavelmente os que gostam do caos estético que se nota hoje em dia), a corrente que teve em Raul Lino um dos grandes teóricos ainda hoje embeleza as ruas das nossas cidades e vilas com os seus edifícios sólidos e elegantes. Que pena não haver uma cidade inteiramente assim. Seria Património da Humanidade com toda a certeza.

Cineteatro Avenida
Resolvi ir ver o centro histórico de CB e atravessei novamente a praça, fazendo uma diagonal para contemplar outra construção “suave”: o Cineteatro Avenida. É um bonito edifício que hoje serve de centro cultural. Embora tenha tido alterações que certamente o desvirtuaram (portas, por exemplo), continua a chamar a atenção de quem por ali passa. Olhei e reolhei o cartaz em busca de algo que acontecesse durante a minha estadia para poder ver o cineteatro por dentro mas, infelizmente, tudo parecia acontecer antes e depois da minha visita.

Subi para apanhar a Rua da Sé. Antes, num largo, um bonito edifício antigo, de ar forte, fez-me parar para uma foto. Ao seu lado um outro, onde parece estar (ou esteve) qualquer serviço ligado ao PSD exibe um estado de semiabandono Cem metros mais à frente, encontra-se a sé de Castelo Branco, também conhecida como “Igreja Matriz”, “Catedral”, “Sé Catedral” ou, conforme estava no mapa que eu trazia “Sé Concatedral”. Estava fechada.

(continua)

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