sábado, 26 de novembro de 2011

2500 km por Portugal - parte 6 (2011/10/02)

Pelourinho manuelino
Castelo Branco

Atendendo a que a Sé de Castelo Branco estava encerrada àquela hora (Hã?! O quê? - leia o post anterior), resolvi seguir para o Paço Episcopal, afinal de contas, o verdadeiro ex-libris da capital da Beira-Baixa. O passeio é relativamente curto - umas centenas de metros -, e tem alguns pontos de interesse: ao fundo da Rua das Olarias, discretamente colocada numa parede na entrada da Rua dos Ferreiros, uma grande placa escrita em Latim; à direita, o começo da pequena alameda arborizada que vai dar ao Paço e onde, a meio, encontramos o Largo de São João com o seu pelourinho manuelino que é Monumento Nacional.

Quem chega ao pelourinho já está a poucos metros de uma passagem superior que liga o jardim ao que é hoje o parque municipal. Passando por debaixo dos arcos, temos então, a escolha de tomar o portão da esquerda e entrar no bonito jardim barroco ou, virar à direita e optar pelo agradável jardim municipal. Segui pela esquerda.

O Jardim do Paço Episcopal foi criado no Séc. XVIII e é uma fantasia barroca onde largas dezenas de estátuas se enfileiram pelos caminhos traçados a régua e esquadro. Temos coleções de reis, santos, bispos, figuras alegóricas aos signos, épocas do ano, etc. O todo é muito bonito e é inimaginável passar por CB sem lá ir (a menos que já se conheça, claro). Não é o tipo de jardim onde se vá passear, fazer tempo ou namorar (para isso, atravessa-se a rua e vai-se ao do outro lado da estrada). É um local monumental, um bibelot, passe a expressão.

Quando ainda estava no patamar inferior - que fica junto à entrada -, e andava a admirar os bonitos painéis de azulejos que enfeitam as paredes, ouço alguém dizer "Tens ali um cliente!". Percebi que havia que pagar bilhete para visitar o espaço. Por mim, nada a dizer. Mas, antes, tentei aproveitar os conhecimentos turísticos do guarda, em meu proveito: perguntei-lhe se sabia a que horas abriria (se é que abria) a "Sé Concatedral". O homem abriu os olhos, fez um ar incrédulo e disse "A quê?!". "A Sé Concatedral" - repeti eu, apontando para o mapa que trazia na mão -, e, para que não houvesse dúvidas, mostrei-lho. "Eu nunca ouvi tal coisa!", disse o homem com aquele ar de quem se presta a vergastar os tempos modernos, "Conheço é a Sé, a Catedral, agora, isso que disse...". "Deve ser a mesma coisa" - atalhei eu -, "Sabe se abre?".  "Não está aberta? Então só à hora da missa - às cinco da tarde".

Obtida a informação sobre o horário da sé de Castelo Branco, dei sem qualquer problema os dois euros (ou terá sido um?) que o funcionário me pediu e subi as escadas que dão acesso ao espetáculo principal.



Uma vez no jardim, o que há a fazer é passear sossegadamente, sem olhar para o relógio e ir observando todas aquelas estátuas (cuja qualidade - diga-se em abono da verdade -, não é grande). Há também várias fontes que acrescentam graça ao espaço e entrecortam os retilíneos caminhos.


Jardim do Paço Episcopal
No fundo do jardim - e subindo mais um nível -, há um grande tanque alimentado por água vinda de uma espécie de escadaria e que, para além de valer pela sua beleza, tinha o fim muito prático de alimentar as fontes e servir para as regas. É deste sítio que temos a melhor vista sobre toda a zona e sobre as várias áreas de todo o jardim: a do "labirinto", a do tanque central que pega com a escadaria dos reis e uma à direita, com uma bonita "piscina" com decoração interior. Para quem quiser experimentar, há muitas laranjas (?) nas árvores e no chão.

Prestadas as homenagens aos nossos insignes monarcas na escadaria que lhes é dedicada achei que o jardim estava visto e que era altura de abalar. Virei à esquerda, em direção ao Largo José Lopes Dias, de onde é possível admirar melhor o próprio Paço Episcopal já que é para aí que dá a entrada. Com o incipiente mapa que tinha recolhido na Pousada de Juventude (já agora, há uma grande falta de informação turística nestes locais), fui seguindo o caminho que me levaria ao castelo. Não tinha memória de alguma vez ter avistado, sequer, a fortaleza que, afinal, até dá o nome à cidade e, verdade seja dita, dali também não a via...

Ao cimo de uma rua que estava em obras, chego ao começo de uma zona mais velha. Aí vejo, numa esquina,  duas placas: uma sinalizando um hotel e outra indicando o castelo. Ambas apontavam na mesma direção. Tomei o caminho que se me deparava com confiança. Fui andando, andando e... andando. Passei por uma zona de depósitos de água, cheguei a uma estrada pouco urbana, contornei uma zona de mata, subi uma estrada e, ao fim de um bom bocado, quando já me rogava pragas por não saber se havia de voltar para trás, lá vejo um hotel. Passado este, noto que o meu destino seria pouco depois. Mais um pedaço de caminho e, finalmente, ao reentrar na zona antiga, vejo o tão desejado acesso ao castelo. Para cortar caminho na história, deixem-me dizer-vos que a placa que eu segui me obrigou a dar a volta ao monte quando, afinal, se tivesse ignorado a indicação e tomado o caminho da esquerda, me teriam bastado duzentos metros para chegar ao castelo. Notável, não é? Ajudas destas não são precisas, obrigado.

Bom, e o castelo, vale a pena? Deste podemos dizer que é composto por duas torres (uma delas com uma vista bonita), um pedaço de muralha ligando-as e um ou outro vestígio de construções antigas. Temos um edifício que foi escola, depois sede de um associação de bombeiros e, agora, está a ver se o tempo o leva; e temos a igreja antiga, certamente cheia de história e sobreposição de elementos mas que eu não pude visitar porque estava... - adivinharam -, fechada.

Igreja do castelo
Ao fim de algum tempo lendo os painéis informativos e após descansar (que o local presta-se a isso), desci uma escadaria que liga o castelo a um miradouro um pouco mais em baixo. É um sítio sossegado, fresco mas que já deve ter sido mais bonito, antes de ser "modernizado". Avistei um quiosque multimédia - uma coisa grande, com ar de quem nos vai abraçar e cuja finalidade é ir-nos dando informação sobre aquilo para onde estamos virados. O único problema do avançado equipamento é que estava desligado (e, muito provavelmente, avariado). Como nestes sítios uma pessoa se cansa rapidamente (a menos que esteja numa de meditação ou "malandrice"), saí. Desci mais uma escadaria - que até tem a graça de ser uma espécie de túnel no meio de árvores -, e acabei por vir ter ao tal sítio onde estava a plaquinha que me fez dar a volta a toda a colina do castelo. Insultei mentalmente quem a pos ali e virei à direita, em direção ao núcleo histórico da cidade.

(continua)

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