sábado, 17 de dezembro de 2011

Morrer em Londres

Quem vai a Londres tem à sua disposição um grande número de diversões que se baseiam na história local. Uma das mais conhecidas é "The London Dungeon" ("A masmorra de Londres"). Este espaço é composto por uma sucessão de cenas históricas soturnas - ou mesmo macabras -, que os visitantes atravessam e onde vão "vivendo" os diversos ambientes, sempre animados por empenhados figurantes.

Lembro-me de que, quando lá fui, nos tiravam logo à entrada uma fotografia (como se faz em todos os parques de diversões) e que nós pousávamos para o boneco com a cabeça apoiada num suporte, pronta a ser cortada por um carrasco (ou por quem nos acompanhava). Percebem o estilo da coisa, certo?

A meio da visita, uma das cenas era a chegada a uma praça onde parávamos e, de repente, surgia um juiz do Séc. XVIII, com aquelas características cabeleiras e um péssimo humor. O homem queria condenar alguém a todo o custo e, do meio da dezena de pessoas que constituiam o "meu" grupo, escolheu-me logo a mim...

A minha gravíssima falta teria sido urinar para um lago onde o distinto juiz tinha os seus patos a passear e os pobres bichos teriam morrido em consequência disso. Quem era eu? De onde vinha? De Portugal, respondi, obviamente. E no seu país costuma fazer isso?! - perguntou irado o magistrado. Eu, armando-me em carapau de corrida respondi que sim, que fazia sempre isso. Resultado: fomos todos condenados à morte, logo ali. Encaminhados para a saída, colocaram-nos num barco à frente do qual, ainda mal estávamos sentados, surgiu um esquadrão de fuzilamento que imediatamente arrumou connosco, lançando o batel por um canal abaixo numa abrupta descida que só terminou num lúgubre cais onde se iniciava um novo quadro histórico.

De toda a divertida visita apenas mantive na memória, bem fresco, o momento do julgamento. Afinal de contas, não é todos os dias que somos condenados à morte...

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