sábado, 17 de dezembro de 2011

Ninguém chateia um deficiente!


1989/04/14


Já aqui escrevi que, onde quer que vá, acontece sempre virem pessoas fazerem-me perguntas ou pedidos na rua: onde é isto, onde fica aquilo, que horas são, pode tirar-me uma fotografia?

Numa das minhas idas a Madrid - e já com com algumas situações na contabilidade -, ao passear-me junto ao Palácio do Oriente, vejo uma velhota aproximar-se de mim como quem vinha perguntar-me algo. Dito e feito. Eu, por não a ter entendido logo, levei instintivamente o dedo ao ouvido como quem lhe dizia "não ouvi, repita". A senhora fez uma cara de ligeiro desconsolo, pediu desculpa e continuou o seu caminho. Imediatamente percebi que ela tinha julgado que eu lhe indicara ser surdo. Eureka!

Foi lição que me ficou e ainda hoje, passados muitos anos, recorro à "história do surdo" quando não me apetece parar para responder a perguntas de estranhos. Ninguém chateia um deficiente!

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