domingo, 18 de dezembro de 2011

Oh yeah! em Dublin

2005/05

Não poderia vir mais a propósito nesta semana que agora acaba, a recordação de uma ida a um concerto de Bryan Adams na... Irlanda.

Era de manhã quando a camioneta da Bus Éireann (a rodoviária local) partiu para realizar o circuito "Newgrange and the Boyne Valley", uma daquelas excursões diárias que, quase sempre, são magníficos passeios onde podemos, de uma assentada, ver um sortido de coisas que pelos nossos próprios meios seriam difíceis de alcançar. A "ementa" do dia era, entre outras coisas, a ida a um enorme túmulo pré-histórico e a visita a Tara, uma espécie de "santuário" para o patriotismo irlandês já que era ali que os antigos reis da ilha se faziam. Pelo meio - e como seria de esperar naquela terra -, muito verde.

Quando a camioneta percorria uma estrada paralela ao rio Liffy, ainda na feia Dublin, o motorista/guia comentou o nome de Bryan Adams. Distraído que ia observando a paisagem urbana não me apercebi na altura da razão de ser da referência a um dos meus artistas preferidos. "Talvez tenha uma casa aqui", pensei, e anotei a coisa mentalmente.

No fim do dia, ao desembarcar, procurei imediatamente um dos muitos quiosques de internet que havia no centro da cidade (era uma zona repleta de imigrantes e estes têm grande necessidade de internet e telefones). Lido o correio, satisfeitas algumas curiosidades, procurei o que teria Bryan Adams a ver com Dublin. Nada podia ser mais simples: o homem tocava lá nessa mesma noite. Olhei para o relógio e assustei-me. O concerto ia começar daí a um par de horas.

Com uma ou duas indicações e a relativa facilidade do caminho (bastava seguir o rio, repetindo o caminho matinal mas mudando de margem), apenas tive de me preocupar com a velocidade. A distância de onde eu estava até ao recinto do espetáculo, não sendo grande, era feita com o cansaço de fim de dia mas, quem corre por gosto não cansa - dizemos -, e se isto é válido para corridas, ainda mais o é para caminhadas.

À chegada, dou com algum movimento mas menos do que eu esperaria para um concerto. Quando me aproximo da entrada bate-me forte a consciência de que estou com toda a tralha de um turista comigo: mochila, impermeável, máquina fotográfica, guia turístico, canivete suíço e, até, uma lata de cerveja daquelas grandes! Estava lixado, não me iam deixar entrar. A lata ainda podia ir para o lixo mas o canivete...

Péssima foto: não é minha :)
O que havia eu de fazer? Arriscar, claro. Afinal de contas, a revista, a ser feita, era antes das bilheteiras (exatamente) e, portanto, não havia nada a perder. O pior seria ficar com um grande galo e mais umas boas horas para gastar naquela desinteressante cidade. Avancei para o segurança. A seu pedido abri a mochila e lá estava a lata, grande, cheia e pesada, mostrando-se arrogantemente. O homem mandou-me fechar a mochila e seguir. Claro, numa terra de bêbedos (recentemente, tinha sido proibido beber na rua, como forma de combater o flagelo do alcoolismo), a coisa mais natural do mundo é que um tipo ande com uma latona "para as necessidades". Oh alívio!

Atravessei o parque de estacionamento no fim do qual ficava o contentor onde se vendiam os bilhetes. Umas raparigas ainda tentaram vender-me uma entrada que tinham a mais mas a possibilidade de pagar com cartão de crédito fez a organização ganhar o negócio. E qual o preço do ingresso? € 45!!! - Isto em 2005! Ainda hoje, na Lisboa do ano 2011 não se praticam semelhantes preços mas a Irlanda era um país remediado com preços "à inglesa". A única diferença (e que jogava a favor do turista) é que as coisas eram em euros e não em libras.

Munido do precioso bilhete, entrei na sala que, a essa altura, ainda estava com pouca gente. Verdade seja dita que nunca poderia ficar com muita... Trongamongas, segurando roupa e mochila, lá me ajeitei no meio da plateia, sabendo de antemão que não iria poder mexer-me muito, obrigado que estava a tomar conta dos meus pertences. Que se lixasse - ao menos, estava lá.

A primeira parte do concerto foi feita por um artista australiano - que me era perfeitamente desconhecido -, chamado Keith Urban e que ainda hoje é mais conhecido por ser o marido da Nicole Kidman do que propriamente pela sua carreira discográfica. O rapaz era jeitoso, as meninas gostavam dele e a música era suficientemente animada para dar boa onda ao público mas, felizmente, a coisa não durou mais do que 45 minutos. A seguir veio o canadiano e, pela segunda vez nesse ano lá me deleitei com  toda aquela alegria.

Para encerrar um belo dia, nada melhor do que um belo concerto. Oh yeah!!!

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