quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Não vamos!

Teatro romano em Efeso
2002/09

Quem já foi em excursões sabe que é relativamente comum a inclusão de visitas a "lojas" nos roteiros daquelas. Nalguns países mais do que em outros, a coisa assume-se como uma fatalidade à qual é difícil de escapar.

Numa viagem à Turquia, a ida a duas lojas estava perfeitamente declarada na descrição do passeio: um estabelecimento de tapetes turcos e uma fábrica de joias feitas a partir de pedras locais.

Os tapetes turcos não são tão famosos quanto os tapetes persas e, na loja que visitei, um dos grandes objetivos do empregado (que falava um excelente Português) era fazer-nos entender que isto era uma injustiça porque os tapetes do seu país eram, na realidade, melhores do que os "da Pérsia". Sentado num dos lados de uma grande sala, vi serem atirados para a minha frente uma sucessão de tapetes, todos eles de grande trabalho, todos eles de bom valor (o maior valor atinge-se com a idade e o uso) mas que eu nunca compraria por não apreciar o estilo. Quem quisesse adquirir um "magnífico tapete turco" não teria quaisquer dificuldades em fazê-lo: meios de pagamento e transporte não eram problema porque a loja tinha e fazia tudo. Só não comprava quem não quisesse (partindo do princípio de que quem quisesse podia...). Ao fim de umas dezenas de tapetes, de ver pessoas (fingindo) tecê-los, de um ou dois copinhos de chá de maçã e outros dedos de conversa com a guia (que só bebia chá preto - o de maçã é para os turistas), lá tiveram todos os excursionistas ordem de soltura para continuarem viagem. Tapetes vendidos? Talvez um.

Mais tarde, em plena Capadócia ("bem vindos à Lua", disse a guia Shefika), quando eu antecipava uma ida a um monte escavado em tempo de trogloditas, o autocarro foi "desviado" para ir visitar uma fábrica de joias. Aqui, a coisa correu menos bem, o interesse da maior parte das pessoas foi muito menor e, ao fim de algum tempo, muita gente estava cá fora, secando à espera de que os outros se despachassem. Como seria de esperar, as mulheres foram as principais interessadas no que havia para vender.

No penúltimo dia de viagem, quando nos dirigíamos para visitar a cidade greco-romana de Efeso (perto da qual está uma das maravilhas do mundo antigo: o templo de Artemísia - que eu, estupidamente, não fui ver), a guia informou-nos de que nesse dia iríamos visitar uma loja de cabedais. Gerou-se um burburinho entre os passageiros e várias pessoas começaram a dizer que não tinham interesse em ir a mais lojas. A guia ficou um  pouco atrapalhada e, conversando, lá se chegou a um compromisso: quem quisesse ir ver a loja, saía das ruínas a uma certa hora; quem não quisesse, continuava a visita e, depois, seria recolhido pelo autocarro na vinda da loja. A maior parte das pessoas preferiu ficar a passear na espantosa cidade da antiguidade que é um dos grandes pontos de interesse no país dos sultões mas, ainda assim, houve algumas almas que, de férias tão longe de casa e com tanta coisa para ver, acharam melhor irem enfiar-se numa loja para comprar cintos ou blusões. A cada um, os seus gostos...

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