segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

2500 km por Portugal - parte 9 (2011/10/03)

"Quem és tu?" - pergunta ele...
Recuperadas as forças junto à torre do Rei Wamba, eis-me pronto para empreender o "regresso" a Vila Velha de Ródão.

A Rota das Invasões segue por um trilho no meio da floresta, bastante inclinado e que é, claramente, pouco aconselhado a quem não se sinta em boa forma. Ziguezagueando monte abaixo, há que ir com atenção às indicações pintadas nos troncos das árvores ou nalguma pedra e que nem sempre estão muito visíveis. No entanto, apenas uma vez me enganei no caminho, tendo-o retomado poucos metros depois, sem que qualquer precalço surgisse (uma escorregadela aqui e ali, mais nada).

A certa altura, ouço um som, uma espécie de estalido repetido várias vezes. Eis-me ali, sozinho no meio do mato e cheio de curiosidade em perceber o que estaria perto de mim. Olhei à volta e... nada. Olho para baixo e... nada. Começo a olhar para cima, e, ao fim de algum tempo, noto, no cimo de uma árvore, um esquilo. O animal estava parado, fixando-me, provavelmente admirado com o estranho bicho que invadia os seus domínios. Fitámo-nos durante um pouco, ele em estado de alerta, com os membros afastados como quem se preparasse para disparar em fuga e eu de largo sorriso, contemplando aquela simpática personagem. Tirei-lhe algumas fotografias (com demasiado zoom para ficarem boas) e segui caminho.

Embora fosse vendo as marcas do trilho, comecei a pensar se estaria bem encaminhado. Finalmente, cheguei a um caminho bem visível, o que me reconfortou. Nova marca e, pouco abaixo, um palheiro abandonado. Meio a corta mato, cheguei, alguns minutos depois, a uma zona onde um casebre guardado por um cão se "erguia" junto ao leito de um ribeiro (naquela altura seco). O cão não foi chato (os cães no "campo" são umas melgas) e limitou-se a assinalar a sua presença.

Continuei até começar a ver uma ponte ferroviária. Havia um caminho por baixo desta e que talvez fosse dar ao rio mas estava bloqueado por uma cancela. Percebi que a ideia era subir até o que parecia ser uma estrada lá em cima. Por esta altura, e apesar do relativo descanso proporcionado por uma grande descida à sombra, apetecia-me tudo menos volta a subir o monte. Mas os meus apetites não eram para ali chamados e tive mesmo de galgar uma centena de metros - novamente ao sol -, até chegar à "pista" rodoviária. Dali já era possível ver bem as "portas do Ródão" e, a cada passo, a vista melhorava. A certa altura, uma marca indicava um bom ponto de observação mas detive-me por pouco tempo por perceber que lá à frente é que era mesmo bom. "Lá à frente" significava sobre a ponte que liga VVR ao Alentejo e que ainda ficava a alguma distância.

As portas do Ródão
Mais um esticão, uma travessia da linha ferroviária e eis-me quase de frente para aquela maravilha. Insisti comigo mesmo e fui até meio da ponte. O panorama é de cinema: dois enormes "rochedos" precipando-se para o Tejo e este, majestoso, a toda a minha volta. É um cenário de uma enorme beleza e, não fosse o incomodativo sol (um chapéu é absolutamente vital nesta caminhada) e teria ficado para ali, contemplando a paisagem indefinidamente.

(talvez pudessem por por ali uns bancos onde nos pudéssemos encostar e "embebedar" com o local)

A sede começava a apertar bastante e, ao mesmo tempo, tendo visto o ponto alto do passeio, ansiava por voltar ao "conforto" do carro e seguir viagem. Da ponte sobre o Tejo até VVR ainda vai um bocado e que é completamente desinteressante. Ali junto ainda há um prédio que em tempos teria sido um restaurante (daqueles com paisagem incluída na refeição) mas que está abandonado. Forcei-me a alargar o passo para chegar o mais depressa possível a um sítio onde pudesse beber algo. À "entrada" de VVR, não resisti a sentar-me à sombra, junto a uma casa cuja base formava uma espécie de banco. Alguns minutos e novo arranque. Quase de volta ao posto de turismo, entrei numa tasca procurando bebida e comida. A senhora, simpática, informou-me que de comida só tinha bullycaos e coisas parecidas mas que, um pouco mais acima (tinha de ser!...) já arranjaria algo com que matar a fome. Lá encontrei o "um pouco mais acima", que se traduziu numa cerveja e num pastel, no conforto de um café fresco ao qual poderia ter chamado "Paraíso". Aqui, deu-se um episódio curioso: ao chegar, pedi logo uma cerveja ao que a rapariga que me atendeu respondeu com "só temos cerveja a copo" e, dito isto, tirou uma garrafa de litro do frigorífico. Ali, a cerveja era servida assim, a partir de uma garrafa das grandes. E se eu pensei que o sumo de cevada perderia graça por causa disso, rapidamente percebi como estava enganado porque o "néctar" estava mais fresco e viçoso do que na maior parte dos cafés de Lisboa. Não fosse ter de conduzir e a garrafa já não voltava à proveniência...

Tanto verde e todos os caminhos são ao sol... :(
Com novo ânimo, fiz-me a nova e "dramáica" subida até ao sítio onde tinha deixado o carro. Pelo caminho, reparei num sinal indicando um supermercado e anotei-o mentalmente como ponto de passagem obrigatória.  Chegado à viatura (esse tanque que a todo o lado vai), senti-me como se tivesse entrado num forno, tantas eram as horas ali passadas ao sol. Com todas as janelas abertas, rolei estrada abaixo até encontrar um Minipreço onde comprei fruta e... umas quantas garrafas de água bem fresquinhas (uma "desapareceu" logo ali).

Descansei no carro (agora, à sombra) e planeei o que fazer a seguir. A visita ao "Conhal do Arneiro" era um must que se intrometia na visita a duas aldeias típicas.Para além disso - soube-o no posto de turismo -, ainda havia outras "portas" a visitar. Rodei a chave, o fiel motor fez a sua imitação de rugido (carros baratos são assim) e parti, porque todo o tempo era pouco...

(continua)




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