sábado, 17 de março de 2012

2500 km por Portugal - parte 12 (2011/10/04)

Idanha-a-Velha

Saído do bonito lagar de azeite, procurava agora a torre "dos Templários" (denominação talvez enganadora). Atendendo à pequenez daquilo tudo, "procurar" não é bem o termo. Digamos que me desloquei até ao sítio, inteiramente ciente que estava da sua localização graças ao folheto que tinha pegado no lagar.

O curto caminho até à torre tem a graça de todos os trajetos em Idanha-a-Velha, ou seja, é um percurso com casas de pedra onde nos sentimos rodeados da ruralidade. Gente, pouca se via e, não fosse um conjunto de engraçados gatos que se acumulavam debaixo de um alpendre, quase que poderia dizer que não tinha visto vivalma (os gatos têm alma?). A torre é relativamente desinteressante e tem - talvez como única graça -, o facto de estar assente sobre uma vulgar base de um templo romano. Chamar àquilo torre é um bocado exagerado, desde logo. A verdade é que, muito provavelmente, se tratava de uma casa (com rés-do-chão e primeiro andar) cuja entrada se encontra um pouco mais elevada (à altura da nossa cabeça). À volta há alguns buracos resultantes de escavações arqueológicas e... mais nada. Como local a visitar, só se aconselha se não houver pressa.

Como o mapa indicava a existência de qualquer coisa fora de portas (embora não dissesse o quê) e eu tinha visto uma referência a termas romanas, voltei a sair da aldeia pela porta defronte da basílica. Meti-me por um caminho à esquerda que acompanhava algumas hortas. Ao fim de uma centena de metros, por entre árvores, avistei uns restos de paredes. Sem qualquer indicação e sem possibilidade de aceder ao local (a menos que me armasse em turista salta-muros) contentei-me em acreditar que aquelas pedras junto a um buraco e lutando contra a vegetação eram os vestígios romanos. Voltei para trás com menos uns minutos no bolso... 

Atravessei ruas já conhecidas em direção ao largo onde fica o pelourinho e a igreja matriz. Esta, como seria de esperar, estava fechada (acompanhem o meu relato de sítios encerrados nesta viagem). 

Ao notar a existência de um café a metros dali, "bateu-me" a forma como tudo aquilo está subaproveitado em relação aos turistas. É certo que era a época baixa mas os estabelecimentos não despontam com a vinda do momento certo do ano. Idanha-a-Velha (como, tristemente, todas as nossas aldeias históricas) só tem para oferecer o seu património na forma mais básica, i.e., ver e tirar fotografias às "pedras". Sim, porque o turista que vá na ilusão de que chega a uma aldeia histórica e se senta comendo docinhos regionais e bebendo um licor da terra e pode comprar recordações engraçadas, etc., rapidamente chega à conclusão de que aquela conversa (repetida até à náusea), sobre o aproveitamento do património e a importância do turismo para a Economia do interior do país é tudo treta! Esta gente (a nossa gente) não sabe fazer negócio!

Bom, segui em frente, esperando encontrar, no fim da rua, a capela de São Dâmaso. Esta estava lá, em toda a sua singeleza exterior porque, do interior, nada vi. Adivinharam? Estava encerrada. Sorte a minha que, pouco a baixo, havia a ponte "de origem romana" e é característica das pontes não terem portas. Se as tivessem, alguém as manteria  fechadas, claro... Fotografias daqui e dali, descida até ao leito completamente seco da ribeira - para poder apreciar o perfil do monumento -, e, rapidamente, a sensação de já estar a raspar o fundo do tacho.

Idanha-a-Velha ainda não tinha acabado, no entanto. Mas, estava perto disso. Algumas casas bonitas  para fotografar (sobretudo aquelas cujos donos enfeitam com flores), e a subida à muralha do lado da entrada antiga eram tudo o que me faltava para marcar como concluída a minha visita.

Antes de ir para o carro, segui ainda o mapa na tentativa de ver uma necrópole romana que estaria junto à estrada por onde eu tinha chegado. Eu bem me empoleirei na cerca mas não vi nada. Talvez os vestígios da necrópole fossem os sarcófagos de pedra que eu tinha visto junto à basílica. Talvez os tivessem transferido para comodidade do visitante (e, provavelmente, de algum agricultor). Certo, certo, é que, se alguma coisa ali havia... não se via.

Voltei para o carro passando junto ao redondel que ali há: uma arena com três fileiras de bancadas e pintada de branco. Coisa pouca para quem vem da terra do Campo Pequeno mas que certamente dará muitas alegrias à população local. 

A água fresca de uma bica foi o complemento perfeito a dois secos minicroissants resgatados a uma embalagem que eu trazia no portabagagens desde Vila Velha de Ródão. Terminado o delicado repasto, parti para Monsanto. Antes de me fixar na paisagem fui pensando que Idanha-a-Velha, por mais interessante que seja, ficou bastante aquém das minhas expetativas, inflamadas por anos de elogios feitos à aldeia por muita gente. Não se entenda por isto que não aconselho a visita. Pelo contrário! É um local que merece uma deslocação mas, apenas, como parte de um passeio mais abrangente pela região. Caso contrário, é capaz de saber a pouco...

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