sábado, 10 de março de 2012

Lojas de marca

Como ainda faltavam algumas horas para apanhar o avião de volta à santa terrinha, decidi passá-las em Milão, dando umas curtas voltas na zona circundante da estação central de comboios (em si mesma, uma visita recomendada, para admirar a sua arquitetura de estilo fascista).

Tinha vindo de Bolonha e estava a sentir-me com fome por ter saído cedo de lá e ter tomado o pequeno almoço um pouco à pressa. Resolvi tratar-me bem, i.e., rejeitar a óbvia oferta do MacDonald's local, e sentar-me numa esplanada de uma pizzaria que me pareceu um compromisso aceitável entre a informalidade do "pronto a comer" e o conforto de um restaurante.

Numa mesa à minha frente sentava-se uma mulher de meia idade, com ar inglês e, na mesa que se interpunha entre nós, estava um casal cujo típico físico me escapava: eram brancos (ela, alourada) mas tinham aquele ar um pouco "rechonchudo" que se vê nalgumas pessoas do Próximo Oriente e que lhes dá uns traços pouco definidos. Falavam uma língua que não consegui distinguir mas que soava aos idiomas da zona atrás referida. Entre eles conversavam de forma animada, por vezes um pouco ansiosa, outras vezes quase à beira da zanga (como acontece com qualquer casal).

Rebuscava eu o prato em procura de restos de uma pequena pizza quando o homem se vira para mim e pergunta:

- A catedral, é perto daqui?
- Nem por isso. - respondi - Fica a uma certa distância mas pode apanhar o metro até lá.
- E de táxi? Não se pode ir?
- Pode, mas tem já aqui uma linha de metro.
- E leva muito tempo? Temos um comboio daqui a pouco, para Bolonha.
- Bem...

O homem talvez tenha achado melhor explicar o seu interesse em ir até à catedral...

- Há lá lojas por perto, não há? De marcas conhecidas... Nós queremos ir às compras.
- Sim, parece-me que há mas... se vai a Bolonha, tem lá um sítio só com lojas dessas.
- Ai sim? E os preços?
- Se estiver disposto a pagar dois mil euros por uma mala...
- Tanto?!

Nesta altura, a mulher de ar inglês (e que o era, de facto), interveio em minha "ajuda". Vinha frequentemente a Milão e sabia onde é que o casal podia arranjar coisas de marca, mais baratas. A solução era ir à... Suíça, a um outlet onde todos os ícones do luxo italiano eram vendidos com grande desconto. Seguiu-se a descrição de como chegar a esse local do tesouro, a essa gruta de Ali-Babá, onde o consumista casal poderia dar largas ao seu desejo de ter coisas de... marca.

Salvo pela especialista britânica, eu, que não sou dado a marcas, contentei-me em acabar uma anónima cerveja (que me custou o mesmo que uma refeição em Lisboa).

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