domingo, 18 de março de 2012

Porrada neles!!!

Já me aconteceu passar por familiares, colegas, gente conhecida e, pura e simplesmente, não os ver. A coisa é tal que já dou comigo defendendo-me e mantendo os olhos no chão quando entro, por exemplo, num autocarro. Mas, se passar distraidamente os olhos por cima de alguém é, afinal, coisa que pode acontecer a qualquer um, não dar pela presença de dezenas de milhares de pessoas na rua já é mais grave...

Aconteceu-me esta situação na primeira vez em que fui a Madrid. Passeava-me pelo eixo Cibeles - Gran Via (onde tinha estado há pouco) quando, de repente, dei por mim com milhares e milhares de pessoas manifestando-se. Toda aquela mole saía da conhecida avenida (que faz as vezes da Av. da Liberdade lá do burgo) e invadia a Alcalla. O meu pensamento foi "De onde é que esta malta apareceu?!", tão surpreendido fiquei por todo aquele aparato (pessoas, gritos, faixas, bandeiras - penso que teria qualquer coisa a ver com a Educação) que, de uma forma incrível, eu tinha ignorado alguns minutos antes. Mas tive pouco tempo para meditar em explicações para o fenómeno. Tão depressa quanto aquela gente tinha aparecido, também surgiram várias camionetas da polícia (a poucos metros de mim) que, após travagem brusca, começaram a largar agentes munidos com a parafernália típica de quem vem para "dar porrada".

Se, até ali, a minha maior preocupação era entender o fenómeno da aparição dos manifestantes, em poucos segundos percebi que o meu principal objetivo seria, agora, não levar umas boas bastonadas dos furibundos polícias. É que os homens saltaram das carrinhas já com o braço ganhando balanço para arrearem nos manifestantes. Toda aquela gente que estava ali mais próxima manifestando-se não conseguiu escapar-se a levar no lombo! Num ápice, tive a ideia de me enfiar numa paragem de autocarro onde alguns pacatos madrilenos aguardavam um transporte e, pelo sim, pelo não, colocar a jeito qualquer coisa que me identificasse como turista. A palavra parecia-me ser a melhor das defesas. "Turista!!! Não me batam!". Provavelmente, não teria servido de nada...

Quando me assegurei de que a violência se afastava do meu "abrigo", retomei calmamente o meu passeio e a minha meditação sobre a origem daquela gente? Teria saído do chão?...

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