segunda-feira, 19 de março de 2012

Uma novidade já conhecida...

Um cozido à madrilena
Era a terceira ou quarta vez que ia a Madrid e, desta feita, não ia à procura das emoções fortes de um concerto de heavy metal. Nada disso: com a namorada pela mão, ia passar uns dias à capital espanhola - dias feitos de passeio e namoro.

Com a minha experiência de visitas anteriores e alguma informação recolhida na internet, conseguimos estabelecer um roteiro de interesse comum que passava por alguns dos locais mais emblemáticos da cidade. Mas, desta vez, por se dar o caso de estar (bem) acompanhado, resolvi incluir um momento gastronómico na lista de coisas a fazer. Comer sozinho num restaurante (ainda mais, "catita") é, para além de triste, um bocado embaraçoso e, portanto, falhadas as hipóteses de o fazer em deslocações anteriores, havia que aproveitar a oportunidade que agora surgia.

Diziam os guias turísticos que o prato típico de Madrid era o cozido madrileno. Confiando na sabedoria dos sítios de internet e fazendo alguma pesquisa, descobri um restaurante que me pareceu engraçado e que se gabava de ter como especialidade o dito cozido. Encontrámo-lo numa rua antiga para os lados da Plaza Mayor e rapidamente engraçámos com o sítio: paredes pintadas de vermelho forte, quadros e cartazes alusivos às touradas e à Madrid antiga e, ao mesmo tempo, um ar suficientemente à vontade para que dois turistas descomprometidos se sentissem em casa. Uma empregada giraça, de bela juba negra e pele pálida levou-nos até ao andar de cima onde ficámos quase sozinhos. "Que querem?" - Cozido!

Estávamos contentes por estar ali e aguardávamos com saudável ansiedade a vinda do típico prato madrileno. Não tínhamos ainda visto qualquer fotografia ou lido qualquer descrição do petisco. Apenas sabíamos que era "típico".

Quando a empregada chegou com a comida só não nos desatámos a rir porque, primeiro, tínhamos de sentir a desilusão. O "cozido madrileno" não era mais do que o nosso "cozido à portuguesa", mas com outro nome. Mais tarde, também fiquei a saber que aquilo a que lá chamam o "caldo galego" é a sopa feita com a água do... "cozido à portuguesa". Comemos tudo (não estava nada de especial mas era agradável), rimo-nos entre nós e devemos ter comentado, certamente, como se dá tantas vezes nomes diferentes a coisas que são iguais. Se alguém julga, por exemplo, que entre o "porco preto" e o "porco ibérico" (do lado de lá da fronteira, as coisas são sempre "ibéricas"...), há alguma diferença, eu mandá-lo-ia pensar de novo.

Limpa a travessa e os pratos, a simpática empregada ofereceu-nos - para rematar a refeição -, um licor, que foi a única verdadeira novidade que provámos naquele "típico" almoço em terra estrangeira...


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