sexta-feira, 16 de março de 2012

Vizinhos celestes

O aviso surgiu na edição online do jornal Público: os planetas Vénus e Júpiter iriam ser mais visíveis do que o costume, sob a forma de dois solitários pontos brancos no céu de fim de tarde do dia 13.

Enquanto a noite não se instalasse completamente e as estrelas se acendessem, quem olhasse um pouco acima dos prédios lá veria os nossos distantes vizinhos, anormalmente próximos um do outro, Vénus maior e mais brilhante (porque mais próximo) e Júpiter mais pequeno (porque mais distante, ainda que sendo muito maior do que o planeta que nos precede na contagem desde o Sol).

Deixei-me ficar na rua olhando para aqueles dois pontos de luz, testemunhas brancas ali presas ao azul que escurecia, e senti uma espécie de familiaridade com o universo, uma vontade de tratar o céu por tu, de lhe falar das coisas aqui de baixo em jeito de confidência e de ficar a ouvir-lhe o suave e sereno silêncio.

Quem vive na cidade não conhece o céu. É preciso ir para o campo para nos assustarmos com a quantidade de olhos que nos observam lá de cima, o pano noturno mil vezes perfurado pelas luzes de longínquos sóis. E é por isso que ocasiões destas se tornam ainda mais especiais: porque nos lembram das ilhas que nos acompanham no interminável mar celeste e nos fazem, ainda que por um momento, sentir parte de algo que é muito maior do que a nossa própria imaginação.

Para estes sítios não há viagens. Como diz a canção dos Heróis do Mar, "são coisas do mundo que só se podem ver ao longe". Ao longe, é certo mas, de vez em quando, um pouco mais perto de nós...

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