terça-feira, 3 de abril de 2012

Ganhou a máquina...

Uma máquina mais moderna...
O metro de Tóquio é famoso. Sempre que se procura informação sobre a megalópole nipónica, lá aparecem as fatais imagens daqueles funcionários que, impecavelmente fardados -e com luva brancas -, empurram para dentro da composição os passageiros que estejam naquele limbo entre a carruagem e o cais, entre o "consigo entrar" e o "aqui fico". A coisa é tão exótica e tão própria dos "bilhetes postais"  do Japão que eu também a quis ver (o que não é o mesmo que dizer que eu também queria ser "enlatado" com toda aquela gente). 

Esperei pelo meu penúltimo dia no Japão (e, também, em Tóquio) para experimentar os "prazeres" do metropolitano local. Até aí, não tinha tido qualquer necessidade de o fazer porque andava sempre na linha Yamanote, uma "carreira" suburbana que era o melhor transporte desde o hotel onde eu estava até ao centro da cidade. Esta linha, como pertencia à companhia ferroviária nacional (a JR - Japanese Railways), era abarcada pelo fantástico passe que eu tinha comprado antes de partir (a sua aquisição só é possível no estrangeiro) e, para embarcar, bastava-me passar pela cabina que havia ao lado dos torniquetes e mostrar a caderneta ao funcionário. A coisa era sempre bem rápida.

No Japão, muita coisa é vendida através de máquinas: comida e bebida, talões para refeição e, naturalmente, bilhetes para isto e aquilo. Mas eu só conhecia as máquinas de comida e - por engano -, uma máquina de trocos (que eu julgava que me ia dar uma senha de refeição e, em vez disso, me deixou na posse de um pequeno tesouro em moedas). Eu não estava, portanto, preparado para o que, uma vez no Metro, eu ia ver...

Vá lá... vocês ainda entram!
Desci as escadas para a estação - uma qualquer, escolhida numa zona que me pareceu mais calma -, e fi-lo com o à vontade de quem não tinha nada com que se preocupar. Procurei um sítio conde comprar um "título de transporte" (como se gosta de dizer na pomposa linguagem das nossas empresas) e vi que não havia por ali qualquer bilheteira, estando os passageiros à "mercê" de uma série de máquinas. Avancei para as ditas e, ao chegar junto de uma, estaquei: aquilo era incompreensível! A melhor comparação que me ocorre é um acordeão. Sabem aqueles botõezinhos todos que ficam à frente? Era uma coisa parecida, com a diferença de que os botões eram de várias cores e tinham coisa escritas em... Japonês. Ali, não havia traduções, nem máquinas com écrans em várias línguas, nada. A única coisa que eu conseguia identificar era o sítio onde se punha o dinheiro (moedas são moedas em qualquer lado).

Olhei à minha volta tentando identificar um jovem a quem pudesse pedir ajuda (as hipóteses de encontrar alguém que arranhasse o Inglês eram maiores com o pessoal mais novo) mas... nada. Em todo o átrio, eu era a única pessoa, para além de alguns apressados indígenas que teriam sempre mais que fazer do que ajudar um estrangeiro em apuros com a compra de bilhetes. Voltei a olhar para a máquina esperando uma epifania mas esta não aconteceu. Fui passando em revista os diversos aparelhos para ver se algum era de um modelo mais simples mas os danados eram gémeos: todos igualmente inacessíveis para quem não dominasse a língua local.

Ao fim de um bocado, desisti de ir ver os "empurradores" do metro e, derrotado, voltei à superfície. Fica para a próxima... E hei de levar um manual comigo!

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