domingo, 1 de abril de 2012

A implacável PSP de Estremoz

Há muitos anos fui passear durante uns dias pelo Alentejo. Com um carro emprestado pela mãe da minha namorada de então,  partimos em direção a Arraiolos, onde ficaríamos e a qual usaríamos como base para umas voltas pela nossa maior província.

Numa dessas voltas, tínhamos ido a Estremoz. Depois de visitarmos o centro  fomos até à zona fora das muralhas onde estacionámos para irmos comer qualquer coisa a um café. Quando nos preparávamos para ir embora, começámos a ver pessoas a correrem na rua. No mesmo momento, uma mulher entra no café e exclama "A polícia!". Logo uma ou duas pessoas se levantaram e sairam apressadas dirigindo-se aos seus carros. Ficámos embasbacados.

Uma vez fora do café, notámos, a uma certa distância, um carro da PSP parado e um agente passando uma multa. Ao chegarmos ao nosso automóvel, vimos que este já tinha, também, sido alvo da atenção do zeloso agente. Lá estava o papel da "coima". Sem sabermos o que fazer (eu nunca tinha sido multado), procurámos o carro patrulha e, quando o encontrámos, perguntei ao polícia que estava ao volante porque era aquela multa. O agente, com um ar muito sério, informou-me de que o carro estava mal estacionado (eu tinha-o posto à esquerda, numa via de sentido único, atrás de muitos outros). À minha questão sobre o que se iria passar, o indivíduo - o agente Isidoro (nunca me esqueci do nome) -, respondeu-me que eu iria receber uma carta e que, entretanto,  fosse tirar "o carrinho".

Não vale a pena discutir com polícias e muito menos valeria a pena argumentar que em Arraiolos, toda a gente estacionava assim, inclusivamente à porta da GNR! Fomos buscar o carro, já com o dia estragado e a irritação  decorrente do paternalismo policial (o carrinho...) e de antecipar um gasto estúpido por uma coisa sem qualquer importância. A minha namorada, tentando tranquilizar-me, propos que fosse a mãe dela a pagar a multa mas, obviamente, isso seria uma coisa inaceitável para mim.

À chegada a Arraiolos, lá vimos todos os automóveis estacionados à esquerda, sem que ninguém se preocupasse com isso. E eu a imaginar uns bons contos de reis a voarem do meu bolso...

Uns anos depois, li no jornal Expresso, numa crónica do diretor, uma referência a este caso. Não o meu, em particular, mas o de Estremoz, cuja polícia esteve durante uns tempos sob a batuta de um comandante que exigia tolerância zero à mais insignificante infração ao código da estrada. Aparentemente, foram tantas as queixas pelo excesso de zelo que o homem acabou por ser corrido dali. 

Azar o meu, que visitei a cidade de Estremoz na pior altura...

1 comentário:

  1. O Sandokan!!!! Também me multou. Por uma coisa que vi fazer aos próprios agentes da PSP com as viaturas da policia...e que, alguns, quando souberam ficaram escandalizados. Mas pelo menos numa coisa faço-lhe justiça. Foi o único com tomates para entrar no acampamento dos ciganos.

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