sexta-feira, 15 de junho de 2012

Gôndolas "low cost" (também existem)

Falar-se em Veneza é, imediatamente, trazer-nos à memória toda uma série de lugares comuns do tipo cor de rosa, indelevelmente gravados no nosso imaginário muito por força daqueles filmes americanos em que alguém resolve vir à Europa à procura de "romantismo".


De todos os bilhetes postais da cidade italiana, o mais famoso será a gôndola. Garbosos homens, cantando românticas canções fazem deslizar as elegantes embarcações pelos canais da capital do Veneto, enquanto pares de namorados fazem juras de amor eterno... Ah, como é bela a vida!

O problema com a vida é que ela raramente é como nos filmes. Os gondoleiros não cantam (limitam-se a gritar avisos à navegação, para evitar choques), uma grande parte deles tem ar de poucos amigos e os pares de namorados foram substituídos por grupos de turistas ou famílias, havendo até estranhos que se juntam para dividirem o caríssimo preço de um passeio. E em vez de juras de amor e beijinhos, tira-se fotografias...

Mas, para quem não queira gastar dinheiro alugando uma gôndola ou, pura e simplesmente, não veja nisto qualquer coisa de muito interessante, há uma alternativa de baixo custo: os traghetti (ou traghetto, no singular). Estas embarcações são uma espécie de gôndolas de gama baixa, conduzidas por dois remadores (vestidos a preceito), e preparadas para transportar pessoas de um lado para o outro do Grande Canal, em sítios onde não há qualquer ponte. Os venezianos fazem-se transportar de pé mas muitos dos turistas preferem sentar-se (a segunda opção é capaz de ser mais segura, sobretudo no "arranque" da coisa, quando a barca tende a abanar "demais"). Seja como for, sentado ou em pé, a rapidíssima viagem tem sempre a sua graça e - eis a melhor parte -, custa apenas €0,50 (cinquenta cêntimos)!

Se há voos, alugueres de carros, refeições - até -, de baixo custo, porque raio não haviam de existir gôndolas? Para os venezianos é um vulgar meio de transporte mas, para o turista, pode ser a única hipótese de experimentar o "romantismo" de deslizar nas águas de Veneza. E se quiser cantar qualquer coisa, ninguém se importará...

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