segunda-feira, 11 de junho de 2012

Itália / Eslovénia / Áustria - parte 1

2012/05/24

A forma como decido onde ir de férias segue poucas vezes a lista dos meus interesses maiores e quase sempre acaba por ser fruto de um qualquer acaso. Por "acaso" entenda-se o aparecimento de um voo a preços convidativos ou a inesperada leitura de uma descrição simpática de uma viagem feita por alguém.

Nunca senti particular interesse por Veneza. Aliás, até há alguns anos atrás, não sentia, sequer, qualquer vontade de ir a Itália. Isto acontecia, quiçá, como reação a uma espécie de imagem "enlatada" que se transmite do país da "bota", feita de um tolo romantismo e de uma espécie de alegre complacência para tudo quanto tenha origem na velha pátria romana. Mas, se à minha primeira tentativa em terras itálicas, fiquei interessado em ver mais e se, à segunda, fiquei rendido, seria de esperar que, mais tarde ou mais cedo, um dos maiores destinos do turismo mundial acabasse por constar do cardápio das minhas viagens. E como a Easyjet fez o favor de passar a ligar Lisboa a Veneza a preços muitíssimo convidativos, juntou-se o útil ao agradável e resolvi ir ao tira-teimas à antiga Sereníssima República.

Como não sou do tipo toca-e-foge, gosto de aproveitar umas férias para dar uma volta mais alargada e não me restringir ao sítio onde o avião aterra. O norte de Itália tem muita coisa de interesse mas uma visualização cuidada da zona à volta de Veneza imediatamente me fez fugir os olhos para leste, em direção a Trieste e à Eslovénia. Há anos tinha visto um documentário sobre a primeira e ficara-me uma imagem agradável da cidade banhada pelo mar Adriático. Quanto à Eslovénia, estava ali tão juntinho que era impossível deixar de reparar nela. Do reparar ao querer ir vai o passo de ver uma ou duas páginas de internet e aperceber-me do muito que aquele pequeno país tem para nos mostrar. No meu caso, a palavra "grutas" - enormes grutas -, saiu-me ao caminho como quem diz "alto e para o baile!".

Em pouco tempo, uma linha partiu de Veneza em direção a Trieste e, daí, passando pelas velhas cidades venezianas (e agora eslovenas) de Koper (Capodistria) e Piran (Pirano). O seguimento natural era a capital Ljubljana e, pelo caminho, a paragem nas gigantescas cavernas de Škocjan, que constam da lista do Património da Humanidade. Como, para voltar a Veneza, seria pouco interessante repetir o caminho, comecei a procurar uma forma de fazer um circuito. Após o estudo de várias hipóteses, optei por ligar Ljubljana a Bled (ainda na Eslovénia) e daí partir para Salzburgo (Áustria). Desta famosa cidade, o retorno a Itália seria feito através de Trento (outra cidade que constava do meu imaginário) e, finalmente, antes de voltar a por pés na cidade da laguna, teria ainda tempo para visitar Pádua e prestar a minha homenagem (a possível num fervoroso ateu) ao nosso Santo António. Desta forma, conseguiria fazer uma volta e não repetir qualquer lugar, passando por três países diferentes, ouvindo (e falando) três idiomas diversos e, concerteza, experimentando três realidades bem distintas.

Há quem faça das viagens um momento de saudável "desorganização", alterando a sua rota à medida do que vai vendo. Eu, faço-o ainda no momento do planeamento. Comecei por querer ir a Veneza e acabei por me ver planeando a visita a castelos e grutas em montanhas conforme uma coisa foi chamando a outra. Os sítios, tais como as palavras, são como as cerejas, portanto.

Aqui ficará o relato de mais uma viagem...

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