quarta-feira, 6 de junho de 2012

Os iTuristas

Com o êxito dos tablets da Apple surgiu um novo tipo de turista: o tipo que se passeia pelo centro das cidades segurando nas mãos um iPad. 

Há-os em duas versões: os fanáticos - que não trazem nada consigo que não seja a famosa maquineta e que até a usam para tirar fotografias -, e os moderados - que, apesar de passarem o tempo olhando para o écran da coisa, ainda recorrem à boa máquina fotográfica para captarem as imagens.

Olhando para estas pessoas sinto, ao início, uma certa superioridade "moral", provavelmente como aquela que sentem os bibliófilos quando veem alguém agarrado a um leitor de livros eletrónicos. Há um lado "romântico" feito do manuseamento dos livros e dos mapas (e, também da máquina fotográfica) que se perde inapelavelmente quando os trocamos pelos modernos dispositivos. Mas este sentido de "superioridade" ou, dito de outra forma, esta espécie de sensação do ridículo quando expostos ao entusiasmo tecnológico dos outros é tão hipócrita quanto nos basta pensar que tantos de nós deitaram foram os mapas das estradas e já mal ligam o carro sem também ligarem o GPS.

A tecnologia está aí e a nossa rendição à dita é, apenas, uma questão de tempo e - porque não -, de saber abrir os cordões à bolsa. Imagine-se o que seria poder passear por uma cidade e ter informação atualizada e ao momento de tudo aquilo por onde estivéssemos a passar... As possibilidades são infinitas, assim queiram os fabricantes de dispositivos incorporarem nestes as capacidades de localização e os produtores de software dedicarem os seus esforços à criação de guias exaustivos dos locais turísticos.

Agora... aquela coisa de tirar fotografias como quem segura uma moldura à frente, para ver se a imagem fica bem, pendurada numa parede lá em casa, é que não me convence...

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