quarta-feira, 4 de julho de 2012

Itália / Eslovénia / Áustria - parte 4 (Veneza)

Ponte dos Suspiros
2012/05/25


Depois dos segredos, tudo o resto...

Terminada a visita aos "segredos" do palácio ducal, era tempo de ir fazer a visita "normal". Felizmente, em Itália - e no que diz respeito a palácios -, "normal" quer dizer "espantoso" e dificilmente alguém poderá ficar desiludido numa visita a qualquer edifício onde antigamente habitasse alguém de posses ou títulos. Obviamente que o poderoso Doge veneziano não poderia fugir à regra e logo nos primeiros passos nos apercebemos de que temos à nossa frente umas boas dores de pescoço, tal é a necessidade de admirar paredes e tetos magnificamente decorados.

De sala em salão, dei por mim visitando a coleção de armas antigas do palácio. Como os italianos antigos passavam a vida a guerrearem-se, o espólio militar que chegou aos nossos dias é bastante grande e podemos ali ver algumas peças bem interessantes, entre armas e armaduras. Depois das duas ou três salas dedicadas à arte da guerra, continuei a visita indo dar a uma pequena bicha que se formava para passar pela "Ponte dos suspiros" (um dos ex-libris da cidade), uma pequena passagem entre dois edifícios - sobre um canal -, e que, diz a história, foi assim chamada porque era usada pelos presos que por ali eram levados até às novas prisões mandadas construir pela República. Os suspiros, facilmente se entende, eram pela liberdade que se perdia... O engraçado é que, no interior, nós nem nos apercebemos de que estamos na ponte, tal é o despojamento decorativo do espaço. Do exterior, a beleza é inegável (embora eu ache que se exagera nas apreciações feitas) mas, lá dentro, o interesse é... nulo.

A visita às "novas prisões", essa, é interessante. Do luxo do palácio, passamos à fria nudez das celas. Algumas destas ainda mantêm mobiliário da época e é mesmo possível, nalguns casos, contemplar graffitti feitos pelos prisioneiros. Escusado é dizer que, se o pessoal do turismo enlatado fica todo contente por dizer que passou por dentro da famosa ponte (há, até, um atalho para saída dos mais apressados), o visitante mais inteligente (ou com mais tempo), não perderá a oportunidade de se passear calmamente pelas prisões, apreciando os muitos pormenores que, paradoxalmente, aquele espaço "vazio" oferece. Por mim, gostei bastante do contraste entre a simplicidade desta zona do complexo e a magnífica decoração de tudo o resto.

Sala del Maggior Consiglio
Saindo das prisões, é tempo de voltar à festa para a vista. Um pouco depois de se reentrar no palácio propriamente dito, chegamos  ao grande salão (cujo esquema para segurar o teto eu tinha podido ver na visita anterior - a "secreta"). Estamos a falar de um espaço enorme onde nem uma coluna existe. Tudo aquilo é uma imensa área, com tetos e paredes profusamente decorados (com pinturas), e onde, antigamente, se tinham de reunir milhares de pessoas para decidirem de questões do Estado. A expressão "à grande e à francesa", por vezes, parece-me algo injusta quando me lembro de algumas coisas que se veem em Itália... Se é certo que os Franceses sentiam necessidade de expressarem aquilo que julgavam ser a sua grandeza através de, por exemplo, o tamanho das avenidas das suas cidades, a verdade é que, apesar de eu ser um admirador incondicional do património gaulês, não posso deixar de confessar que em terras transalpinas, grandiosidade e beleza costumam andar de mãos dadas de uma maneira muito especial, para grande gozo de quem ali vá em demanda de algo com que entreter a vista.


Escadaria dos Gigantes
Dizer que, depois do grande salão (a "Sala del Maggior Consiglio"), nada mais tinha interesse seria pouco apropriado. Mas, é verdade que o local tem algo de "esmagador", e que é capaz de nos deixar um pouco "anestesiados" para o que ainda se segue. Este já não é muito mas ainda é capaz de nos manter agradados até chegarmos à loja do palácio e, atravessando esta, desembocarmos na "praça" interior, mesmo junto à escadaria dos gigantes - uma bela escadaria que, no topo, tem duas grandes esculturas. É um daqueles locais procurados para fotografias por toda a gente... Infelizmente, não se pode subir por ela e temos de nos ficar pelas suas imediações. 

Outra coisa que também merece levar com um "infelizmente" é a proibição de tirar fotografias do interior do palácio. Há quem as tire, no entanto e, diz-me a experiência, é "crime" que compensa porque nunca vi, em qualquer lugar, alguém ser obrigado a apagar as fotografias que tirou. É tudo uma questão de ter feitio para se fazer "desentendido".

Visto o Palazzo Ducale (com grande satisfação minha), havia que passar à "atração" seguinte. No meu plano de passeio, isso seria a subida ao campanário da Praça de São Marcos...

(continua)

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