sábado, 21 de julho de 2012

Itália / Eslovénia / Áustria - parte 6 (Veneza)

2012/05/25

A basílica de São Marcos

Desde o fim da visita ao campanário de São Marcos até ao início da bicha para entrar na basílica iam uns poucos metros que fiz com o devido cuidado para não ser abalroado por um qualquer cardume de turistas em desordenada formação atrás de uma bandeirinha.

Chegado ao posto de espera e tomadas as devidas precauções para poder estar ali despreocupadamente, sem ter de manter um olho na mochila e outro no cigano (no sentido literal, já que a praga de "pedintes" romenos e búlgaros faz-se notar ali como em qualquer outro lugar), entretive-me apreciando lentamente a fachada da basílica (o edifício que alguns dizer ser uma igreja com umas enormes cebolas por cima - as diversas cúpulas). Imagem transmitida até à exaustão, não me impressionou por aí além. Talvez isto tenha a ver com o facto de, na sua envolvente, existirem outros edifícios que me chamaram mais a atenção e estes a poderem "abafar" mas a verdade é que, nunca negando a sua beleza geral ou dos pormenores que a compõem, a coisa não mexeu comigo. Havia esculturas interessantes, havia mosaicos bonitos (ajuda ter uma explicação daquilo que neles é representado) mas, ao fim de alguns minutos, a minha atenção já era, de novo, desviada para as arcadas da praça, para a torre do relógio, para o campanário e, claro, para o palácio ducal. As pessoas que iam passando também ajudavam a distrair-me, enquanto aguardava o momento de entrar.

Nos últimos metros antes da entrada, começo a reparar num aviso de proibição de entrada com mochilas. Não consigo entender o porquê desta obsessão (que se vê um pouco por todo o mundo), já que ninguém se sente incomodado pelas malas das mulheres e há mesmo locais onde a única coisa que nos pedem é que usemos a mochila a tiracolo, como se de uma mala se tratasse. Às costas, é que não pode ser. Mistérios da segurança... Olho à minha volta e vejo mais gente com mochilas como a minha (pequenina) mas, um pouco à frente, já dois turistas estavam a ser encaminhados para uma rua ali próxima onde se situa o bengaleiro da basílica. A perspetiva de ter de voltar à bicha após ir largar a mochila incomodava-me e decidi "arriscar". No momento de entrar, coloquei a mochila a tiracolo, do lado contrário àquele onde estava o guarda e... sucesso! Durante toda a visita, ninguém veio ter comigo, o que só prova como estas medidas de "segurança" são uma perfeita treta.

Uma vez no interior da basílica estamos - à semelhança do que acontece no palácio ducal -, sujeitos à proibição de tirar fotografias. Em muitos sítios existe uma restrição à utilização do flash mas há aqueles que são taxativos e não deixam, mesmo, o turista ficar com uma recordaçãozinha daquilo que está a ver. Se isto se traduz em venda de postais e livros, é coisa relativamente à qual tenho sérias dúvidas.

A entrada no monumento é - pasme-se! -, gratuita. Sim, leu bem: não se paga um tusto para entrar no principal monumento de Veneza. Mas isto não quer dizer que tudo seja à borla. A ida ao andar superior (onde fica o museu) é paga e há ainda a contemplação de uma obra que fica na zona por trás do altar, para a qual também é necessário comprar bilhete. A verdade é que, a menos que se esteja numa onda de "ver tudo" ou de "especialista", a basílica de São Marcos mostra-nos as suas belezas de graça. Eu, como não estava com espírito para museus, fiquei-me pelo circuito "gracioso".

São Marcos não é uma igreja que prime pela luz. Ao contrário da sua fachada, feita de pedra branca, o interior é escuro e, até, pesado. É bonito mas sem deslumbrar (para o nível de Itália, então, é mesmo coisa de segunda divisão), com grande profusão de mosaicos dourados. O estilo bizantino declara-se, ali, de forma categórica.

Embora tenha lido, num guia turístico, que a cada turista só eram permitidos dez minutos de permanência no interior, não vi qualquer tipo de limitação. Toda a gente andava perfeitamente à vontade, cada um ao seu ritmo. Talvez a restrição ocorra unicamente nas alturas do ano em que o fluxo de turistas é maior. Talvez nessas alturas se justifique, até, a reserva online de entradas (estive quase para fazer isto, perante os relatos de enormes filas) mas, naquele dia, visitar São Marcos era uma coisa perfeitamente descontraída. Ótimo!

Após dar as voltas que bem entendi (e torturar suficientemente o meu pescoço),  abandonei a igreja, fazendo ainda uma paragem no átrio para admirar algumas das coisas tão antigas que ali estão, nomeadamente, túmulos. Saía agradado mas não maravilhado. São Marcos é um ponto fundamental do roteiro turístico de Veneza mas, em caso de grande aperto de tempo, não creio que seja essencial a visita ao seu interior.

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