sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Cruz de Cristo, feita com flores de papel
De quatro em quatro anos, a cidade de Tomar realiza a Festa dos Tabuleiros e as suas ruas são decoradas com milhares de flores feitas de papel.

Cidade maior dos Templários em Portugal e, posteriormente, sede da ordem de Cristo, Tomar só podia mesmo ter como uma das suas marcas a bela cruz vermelha e branca, elevada pela História a símbolo nacional.

sábado, 25 de agosto de 2012

Agora, também no Facebook

O Mapa do Mundo, agora, também tem uma página no Facebook. Está toda a gente lá, não é? Até o Presidente da República. Porque não "nós"?

O cantinho no império do Zuckerberg tem o seguinte endereço:
 www.facebook.com/mapadomundo

Simples, certo?

Itália / Eslovénia / Áustria - parte 10 (Veneza)

Mais uma torre inclinada em Itália...
A partir das traseiras do Palácio Ducal, resolvi andar para leste, atravessando o casario até à Fondamenta San Lorenzo, canal junto do qual fica uma igreja grega cuja principal curiosidade é ter uma torre bastante inclinada. Este "fenómeno", ao contrário do que a maior parte das pessoas possa pensar, não se limita à belíssima Torre de Pisa. Não, a verdade é que em Itália é relativamente comum encontrarmos torres que parecem cansadas dos séculos em pé e com vontade de se irem deitar sobre os edifícios mais próximos.

Segui o canal para norte, em passo moderado. Estava cansado,  com a (falsa) ideia de já ter visto o essencial e com vontade de me deixar andar por ali. Conforme já escrevi antes, a sensação de segurança em Veneza é total e não faz qualquer impressão metermo-nos por ruelas e becos desertos. Assim fiz, "investigando" cantos escondidos onde quase ninguém passava. Mantive, no entanto, a vaga noção de que queria ir, agora, para oeste, em direção à Ponte Rialto, monumento que ainda ficava a meio mar de casas de distância.

Fui dar a uma praça grande, dominada por uma igreja de alto campanário em cuja base está esculpida uma grotesca caratonha que diverte muitos dos que por ali passam. Junto, e encostado a mais um canal, um pequeno café com esplanada oferece uma pausa refrescante aos que se queiram sentar beberricando qualquer coisa. Eu, sentei-me ao lado, pés sobre a água, aproveitando uma simpática sombra que por ali se demorava.

Recuperada a vontade de caminhar, olhei para o mapa e estabeleci a melhor forma de chegar à Ponte Rialto. É claro que teria de me embrenhar em velhos quarteirões e isso só poderia ser bom. Pouco depois de me fazer ao caminho já notava um substancial aumento de gente pelas ruas, nada que se comparasse à imensa calmaria que sentira desde que abandonara as cercanias do Palácio Ducal.

Ponte Rialto
As lojas sucediam-se, os turistas e os indígenas entrechocavam-se e, ao fim de não sei quantas curvas, chegou a última, aquela após a qual temos o Grande Canal à nossa frente e, logo ali, à esquerda, a beleza da maciça mas elegante Ponte Rialto. Esta é um dos bilhetes postais da cidade e segue o modelo antigo de passagem com casario em cima. 

Tal como a Ponte Vechio em Florença, também aqui se conservou a dupla função de ligação e "centro comercial", tão típica da antiguidade e, felizmente, conservada nalguns lugares para gáudio de quem por lá passe. Sobre a ponte, imensa gente tirando fotografias à envolvente (a Veneza "turística" está ali em força) e muita outra comprando recordações. Também haverá quem apenas use a ponte para chegar à outra margem, claro...

Por ali para um mundo: come-se, anda-se de gôndola, namora-se, ganha-se a vida. Quem quiser "perder" algum tempo sobre a ponte, poderá observar a vida que se desenrola à sua volta, acompanhando as reações dos turistas a toda aquela beleza e a contrastante indiferença dos calejados venezianos para quem tudo aquilo já não apresenta novidade. 

As gôndolas, os táxis, muitos caiaques e pequenas embarcações pertencentes a uma alegre e bem disposta "corrida" que se realizava por aquela altura... tudo aquilo se cruzava serenamente por aquelas paragens, ocasionalmente posto em causa este delicado equilíbrio por algum barco a motor cujo condutor estivesse com mais pressa mas sem que algum problema surgisse. 

É uma espécie de etérea renda o que os claros rastos das embarcações cruzados na verde água tecem...

A Ponte Rialto é um daqueles locais onde apetece ficar por sentirmos que estamos no coração da ação. Ali passa-se muita da essência da cidade e é fácil achar-se que, após São Marcos e os seus arredores, este é um sítio capaz de nos carimbar decididamente o passaporte na página do "Já fui a Veneza". Mas isso seria extremamente redutor e, felizmente, o guia que eu levava (o livro, entenda-se), assegurava-me, através das suas indicações de passeios que, uma vez atravessada a ponte, havia um mundo de coisas interessantes para ver. A única coisa a fazer era, portanto, ir ao outro lado do canal...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Ídolo num templo na ilha de Miyajima, pertinho de Hiroxima (Japão).

Será uma espécie de "santinho" para as crianças irem treinando?

domingo, 19 de agosto de 2012

Ciência no Verão: As grutas que escondem as águas subterrâneas da Serra da Arrábida



Imagens de uma bela "saída" promovida pela Sociedade Portuguesa de Espeleologia, no âmbito do programa Ciência no Verão (edição de 2012).

Mais informação em: Sociedade Portuguesa de Espeleologia

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Na zona portuária da capital da Islândia, algumas casas penduram no exterior peixe, produzindo assim um dos pitéus favoritos do país, largamente vendido como "recordação" para turistas.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

As Pousadas de Juventude

Não sei se, nas muitas coisas que aqui escrevi, já disse que sou fan das Pousadas de Juventude. Se, por acaso ainda não o fiz, então, permitam-me que o faça agora mesmo: "Sou fan das Pousadas de Juventude!". Pronto, já está.

Esta rede de estabelecimentos hoteleiros gerida pelo Estado - e que tem como objetivo principal proporcionar à malta jovem alojamento barato -, é daquelas coisas que, de tão boa que é, até nos deixa desconfiados. Olhar para uma tabela de preços e ver que o preço de uma noite em camarata oscila entre os €11 e os €15 pode deixar-nos de pé atrás perante a bondade da esmola e, quando a isto acresce o termo "juventude", então, até o pé que está à frente pode decidir procurar a companhia do seu desconfiado par. Se isto acontecer, é claro que o incauto pobre se espalha à grande... E porquê? Porque, não só o preço baixo não é indicativo de más condições como também estes albergues dificilmente têm como clientela maioritária os jovens o que, convenhamos, acaba por ser uma boa notícia para quem tem pouca paciência para a excessiva energia adolescente. Casais, famílias inteiras (sim, com crianças), e adultos solitários são os tipos de hóspedes que mais comummente se encontra.

Antigamente, as Pousadas de Juventude chamavam-se "Albergues de Juventude". A necessidade tão lusa de "parecer bem" ditou a atualização da designação (quiçá na peugada das famosas Pousadas de Portugal). Mas o cartão que dá acesso aos estabelecimentos (quem não o tenha pode comprá-lo na receção de qualquer um) manteve durante anos o nome de "Cartão de Alberguista" sem que ninguém se sentisse pior por isso. Aliás, o termo "albergue" ainda é usado em todas as traduções para Português nos sites internacionais de reservas hoteleiras. Apenas em Portugal se tem vergonha da palavra "albergue", camuflando-a com um pomposo "pousada" ou um estúpido e estrangeiro "hostel", agora tão em voga entre a modernaça comunidade urbana. Podem ir buscar os mais rebuscados argumentos que, no fim, tudo se resume ao mesmo: pessoas partilhando quartos.

Quarto em Alvados/Porto de Mós
(sim, é um candeeiro Philippe Starck)
Mas as Pousadas de Juventude vão além do comum esquema de beliches em camaratas já que também dispõem de quartos clássicos. Hoje mesmo, uma promoção anuncia quatro noites em quarto duplo (com casa de banho) por apenas €80. Isto dá €20 por noite. Arranjem lá um hotel com preços semelhantes!...

Faço uma lista mental das "pousadas" onde já fiquei em Portugal: Leiria, Aveiro, Braga, Guimarães, Guarda, Castelo Branco, Lousã, Coimbra, Idanha-a-Nova, Lagos, Funchal, Alvados e Alfeizerão. De todas estas, talvez apenas uma ou duas vezes tenha ficado descontente com a estadia. E poucas terão sido as vezes em que tive, sequer, de partilhar quartos. É que, infelizmente (para a rede) e felizmente (para o turista), a maior parte das pousadas não parece ser particularmente concorrida, dando oportunidade a que os seus responsáveis distribuam os hóspedes de forma mais confortável para estes. O cúmulo desta situação deu-se no Funchal onde a política da casa ditava que não podia haver mistura de pessoas de origens diferentes (entenda-se, que não viajassem juntas). O resultado foi que, durante cinco noites, eu tive, só para mim, um quarto preparado para seis ou oito pessoas. Um luxo!

Há pousadas mais "gastas" (grandes centros urbanos e zonas de férias) e outras que são tão bem arranjadas que quase nos apetece fazer delas a nossa casa. A Lousã e Guimarães são bons exemplos disto. A primeira  estando num edifício construído de raiz, decorado de forma moderna e onde nada foi descuidado em termos de aspeto; a segunda, sendo a recuperação de um casarão minhoto em pleno centro antigo e mantendo um belo equilíbrio entre a sofisticação e a tradição arquitetónica. Alvados, ali encostadinha à Serra de Aire e Candeeiros, tem uma sala de estar tão boa que ninguém desdenharia tê-la como sua e, no caso da unidade do Alfeizerão (São Martinho do Porto), nem uma lareira falta à sua sala em estilo clássico (na realidade, a única coisa de que sentimos falta é de um simpático cão para se vir deitar sobre as nossas pantufas).

Arrifana/Aljezur (esta, falta-me no currículo)
O pessoal também costuma ser agradável, sendo, geralmente, as empregadas das cantinas os elementos mais simpáticos. De meia idade em frente, costumam ter o sorriso fácil de quem tem aquele gosto maternal em dar de comer aos outros logo pela manhã. E não são, necessariamente, rigorosas no que diz respeito às doses a que cada hóspede tem direito.

Vem a questão da comida a propósito porque me ocorreu-me escrever este texto quando, recentemente, tomava o pequeno almoço no agradabilíssimo albergue de Alvados/Porto de Mós. Estava na "cantina" e, para passar o tempo entre mastigadelas, dei por mim a ler a lista dos direitos do hóspede no que dizia respeito a pequeno almoço: dois pães, uma fatia de queijo, uma fatia de fiambre, um pacotinho de manteiga, um pacotinho de compota, café, chá, sumo de laranja, água, leite, flocos e iogurte. Chega, ou também querem um bitoque? :)

Conheçam o nosso país e usem as (boas) Pousadas de Juventude. E, depois, não passem a vida a dizer que os vossos impostos não servem para nada... 

domingo, 12 de agosto de 2012

Itália / Eslovénia / Áustria - parte 9 (Veneza)

Ei-la: a Ponte dos Suspiros
2012/05/25

Olhei para a minha lista de coisas a ver em Veneza. Conferi a sua localização no livro e entendi que o melhor seria voltar pelo caminho por onde tinha vindo, reentrando na Praça de São Marcos e contornando-a no conforto da sombra das suas arcadas até chegar às colunas que se erguem junto ao palácio do Doge. Uma vez aí, era virar à esquerda e parar na ponte junto àquele. Objetivo: ver a Ponte dos Suspiros.

Ao contrário do que é normal, em que, primeiro, vemos o exterior de algo e só depois "analisamos" o seu interior, no caso do ícone veneziano conhecido localmente como Ponte dei Sospiri, eu já o tinha, literalmente, atravessado, sem que isso me desse grandes dicas quanto ao seu aspeto. Uma ou outra espreitadela através das janelas do palácio ducal tinham-me deixado algo desiludido e, quanto ao seu aspeto interno, bem..., basta dizer que era uma passagem para uma prisão para não se augurar nada de verdadeiramente interessante. Agora, eu estava olhando a ponte bem de frente, firmemente pousado noutra... ponte. E que via eu? Uma "mera" passagem superior entre dois edifícios, bonita, é certo, mas, certamente, pouco merecedora de toda a fama que detém. O "turismo" tem destas coisas: frequentemente damos por nós a olhar para um "ícone" e a pensar "tanta coisa para isto"?

É claro que as moles têm pouca tendência para aplicar um espírito crítico àquilo que lhes é ditado pelos "especialistas". Se se diz que a suspirada passagem é uma coisa soberba, o pessoal alinha e tira-lhe fotografias. Pareço um pouco amargo, não é? Mas é só mesmo parecença. A ponte é bonita e vale a pena ser vista, claro. Apenas acho que não merece "tanta" fama, nada mais.

O milionésimo monumento ao VE
(também conhecido por ser nome de
uma marca de camisas)
Continuando em frente e entrando em plena Riva degli Schiavoni , há uma zona onde se estabelece uma espécie de feira, i.e., há muitas bancas de venda de lembranças. Chapéus de palha, bibelôs, máscaras de carnaval, lenços, sacos, malas, camisolas... Enfim, toda uma parafernália, quase sempre de gosto bastante duvidoso, mas que assegura ao turista duas das suas necessidades mais prementes: mostrar que esteve num sítio (e assim ganhar vantagem moral sobre os outros), e presentear os seus mais próximos (para evitar aqueles comentários do tipo "Foste a Veneza e não me trouxeste nada!").

Chegando a mais um monumento dedicado a Vítor Emanuel (o primeiro rei da Itália unificada e cuja propaganda só faltou mandar cada cidadão do país trazer uma medalhinha sua ao peito - é que a criatura está em todo o lado!), voltei um pouco atrás, para me enfiar numa ruela que vai dar à praça onde está a igreja de São Zacarias, templo que, apesar das recomendações, não me apeteceu ir ver. Ao contrário do que sucedeu em viagens anteriores, desta vez não estava muito virado para admirar interiores de igrejas ("crime" é a única palavra que me ocorre para semelhante estado de espírito, tendo em conta o que se pode ver em Itália), e, portanto, segui em frente, que é como quem diz "virei à esquerda".

Andando por uma movimentada rua fui dar a mais uma ponte. Esta já estava depois da dos suspiros e, portanto, era um bom sítio para ver as traseiras daquela. Também era um bom local para descansar um pouco, por ter mais sombra e menos turistas do que a passagem que está do outro lado do monumento. E, por ser um local de passagem e paragem de gôndolas, quem por ali andasse podia sempre entreter-se com o movimento associado: o aliciamento (nada incomodativo - e muito menos para viajantes solitários, completamente ignorados pelos gondoleiros), a conversa sobre preços e, finalmente, o embarque. Nos entrementes, tudo aquilo dava boas fotografias.

Para quem ande com fome, esta área (ou melhor, as ruas que ligam a Riva degli Schiavoni à pequena ponte de que falei no parágrafo anterior), não é de negligenciar já que existem diversos restaurantes apresentando menus turísticos com preços bastante convidativos (sempre mais caros do que um mero hamburger, escusado é dizer). Quanto à sua qualidade, não me posso pronunciar porque não parei neles, já que, no primeiro caminho da manhã, tinha-me munido de incipientes comes e bebes mas capazes de me aguentarem durante umas boas horas. Vantagens de gastar pouco aos 100.

sábado, 11 de agosto de 2012

Itália / Eslovénia / Áustria - parte 8 (Veneza)

2012/05/25

As minhas deambulações acabaram por me levar até um dos pontos de que mais gostei em Veneza: a zona de canais nas traseiras do Teatro Fenice. Bom, quem diz "traseiras" também pode dizer "frente" que, por lá, as duas coisas confundem-se amiúde, por força da existência de entradas diferentes para quem venha a pé ou de barco.

O Teatro Fenice tem um nome que não podia vir mais a propósito ("Fénix") já que, tal como a mítica ave, também ele ardeu e renasceu das cinzas. Woody Allen chegou, até, a oferecer os proveitos de um concerto seu para ajudar à recuperação da sala. 

Cheguei ao local vindo de uma ruela ao fundo da qual vi água. Estava cansado e precisado de uma pausa e, ao longe, o sítio pareceu-me agradável. Uma vez lá chegado,  este adjetivo mudou para "belo". Trata-se de uma área onde confluem vários canais e que é mais larga do que o costume, formando uma espécie de "praça" na água. Apenas de um lado existe uma zona pedestre, acabando esta, depois de uma ponte, no teatro ou, no lado oposto, continuando para outra ponte (mais antiga), rumo ao Campo Sant'Angelo. Não havia praticamente ninguém por ali e, em busca de conforto e sombra, sentei-me nuns degraus que desciam para o canal. Fitei a água e pensei nela como possível remédio para a fatiga dos pés, encafuados que estavam numas pesadas botas militares. Um certo pudor, misturado com o medo da falta de higiene da água, impediu-me de levar avante o "tratamento". Deixei-me ficar, intercalando momentos de fotografia com outros de puro dolce fare niente, apenas sentindo a leve brisa que ocasionalmente surgia e ouvindo os poucos sons que me chegavam da envolvente.

De vez em quando, uma gôndola passava por onde eu estava. Se viesse da esquerda, o espetáculo durava algum tempo, entregando-me eu a "trocar" fotografias com os ocupantes das embarcações enquanto estas deslizavam placidamente a caminho de outro canal. Mas, se os bonitos barcos viessem da minha direita, tapado que estava por uma esquina, apenas me restava concentrar a atenção nos incompreensíveis sons que os gondoleiros faziam como aviso à navegação.

Foi numa destas situações que ouvi, pela primeira e única vez, uma destas figuras cantar. Sim, eu estava, finalmente, a ter a oportunidade de presenciar um daqueles momentos míticos que só aparecem nos filmes: um gondoleiro, em Veneza, cantando enquanto passeava pelos canais. Mas, como nada é perfeito, o homem não se entregava, propriamente, à execução do repertório clássico do cançonetismo romântico italiano, optando, antes, por aplicar as suas capacidades capacidades vocais em qualquer coisa mais chã e inidentificável para mim. Pouco importava porque o momento era engraçado à mesma. Lentamente, a voz do artista foi aumentando de volume conforme ele se aproximava, sempre escondido pelo prédio junto do qual eu estava. Finalmente, surgida da estreiteza de um canal, uma gôndola apareceu... vazia. Sim, o gondoleiro cantava só para si... Ainda não era desta que a pitoresca fantasia tantas vezes mostrada nas fitas americanas se tornava realidade.

Recuperado o corpo no que era possível, parti para mais Veneza.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O chao min

Chao min
As apreciações generalistas à culinária de um país têm o problema de todas as opiniões que se baseiam no conhecimento de uma ínfima parte de qualquer coisa. Na impossibilidade de provarmos todos os pratos ou, pelo menos, uns bons representantes da arte de fazer comida de cada sítio deste mundo em que estamos, não nos resta senão ceder à tentação de tomar o particular pelo todo e dizer coisas como "a comida inglesa não presta" ou "a comida mexicana é magnífica", quase sempre baseados numa "mutação" do original, feita para agradar a gostos estrangeiros. Há, portanto, que tentar ir à origem sempre que for possível e provar os pratos na sua terra natal.

Fan que sou (e sempre fui) da comida chinesa, não podia estar menos preparado para o choque que foi a minha primeira ida a Macau...

Levado pela minha irmã - à guisa de boas vindas -, a almoçar num restaurante na Praça do Leal Senado, sentei-me com a alegre expetativa de provar o que apenas poderia ser uma versão mais apurada do cardápio numerado à minha disposição em Lisboa. Como me enganei... Do primeiro ao último dia na Cidade do Santo Nome de Deus de Macau, Não Há Outra Mais Leal, com a honrosíssima exceção do estupendo "chao min", a comida chinesa foi uma desilusão constante que teve como momento inaugural o atrás citado almoço e o segundo em que eu levei à boca um pedaço de gengibre (coisa que nunca tinha provado), e que ainda hoje acredito ser a experiência mais parecida com engolir um trago de perfume.

Bem que me afiançaram que a comida mais parecida com a "nossa" culinária chinesa era a de Xangai (e lá iam os portugueses ao restaurante "Shangai", para matarem saudades), bem que me disseram que havia coisas boas e que era uma questão de hábito...

As "arcadas" em Coloane
Em duas idas a Macau (com prova de pratos macaenses) e umas passagens pela China e Hong Kong, não consegui enamorar-me por mais do que o já citado "chao min". Este, fosse numa vulgar tasca de rua, ou nas "arcadas" de Coloane (um dos locais de peregrinagem gastronómica da população lusa), era qualquer coisa de sublime e nunca consegui encontrar por cá algo que se aproximasse do gosto da massa, do molho e da carne que provei naquelas distantes paragens. E não é que eu não tenha tentado repetir, em solo pátrio, os deliciosos momentos em que levava uma garfalhada de fina massa e tenra carne às minhas goelas escancaradas. Eu tentei, sim senhor. Nos tempos mais próximos dos meus dois regressos, uma ida a um restaurante chinês implicava sempre perguntas como "Tem chao min como se faz em Macau?" ou "Fazem chao min com aquela massa fininha?". A resposta era sempre um decidido "sim", ou não fossem os chineses... chineses (nunca se diz que não, há que não perder a face e... fazer negócio). Mas, no fim, o "esparguete" servido era qualquer coisa que apenas me deixava com uma sensação entre o desconsolo e a irritação por ser "enganado".

Com o tempo, desisti de encontrar em Lisboa o pitéu oriental. Talvez um dia volte a Macau. Se isso acontecer, antes de ir experimentar os novos exotismos que nos permitem passear em ruas holandesas ou navegar em canais venezianos - :( -, vou logo direitinho ao primeiro canto que encontrar aberto, para atacar ferozmente a maior pratalhada de "chao min" que me puderem servir. E nunca os meus olhos redondos parecerão mais abertos àquelas gentes...


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A Praça do Comércio (mais conhecida como "Terreiro do Paço"), numa manhã chuvosa.

As nuvens já lá vão mas deixaram um bonito espelho cujo resultado é duplicar a beleza de tudo o que nos rodeia...

Itália - Bolonha


Textos relacionados