sábado, 25 de agosto de 2012

Itália / Eslovénia / Áustria - parte 10 (Veneza)

Mais uma torre inclinada em Itália...
A partir das traseiras do Palácio Ducal, resolvi andar para leste, atravessando o casario até à Fondamenta San Lorenzo, canal junto do qual fica uma igreja grega cuja principal curiosidade é ter uma torre bastante inclinada. Este "fenómeno", ao contrário do que a maior parte das pessoas possa pensar, não se limita à belíssima Torre de Pisa. Não, a verdade é que em Itália é relativamente comum encontrarmos torres que parecem cansadas dos séculos em pé e com vontade de se irem deitar sobre os edifícios mais próximos.

Segui o canal para norte, em passo moderado. Estava cansado,  com a (falsa) ideia de já ter visto o essencial e com vontade de me deixar andar por ali. Conforme já escrevi antes, a sensação de segurança em Veneza é total e não faz qualquer impressão metermo-nos por ruelas e becos desertos. Assim fiz, "investigando" cantos escondidos onde quase ninguém passava. Mantive, no entanto, a vaga noção de que queria ir, agora, para oeste, em direção à Ponte Rialto, monumento que ainda ficava a meio mar de casas de distância.

Fui dar a uma praça grande, dominada por uma igreja de alto campanário em cuja base está esculpida uma grotesca caratonha que diverte muitos dos que por ali passam. Junto, e encostado a mais um canal, um pequeno café com esplanada oferece uma pausa refrescante aos que se queiram sentar beberricando qualquer coisa. Eu, sentei-me ao lado, pés sobre a água, aproveitando uma simpática sombra que por ali se demorava.

Recuperada a vontade de caminhar, olhei para o mapa e estabeleci a melhor forma de chegar à Ponte Rialto. É claro que teria de me embrenhar em velhos quarteirões e isso só poderia ser bom. Pouco depois de me fazer ao caminho já notava um substancial aumento de gente pelas ruas, nada que se comparasse à imensa calmaria que sentira desde que abandonara as cercanias do Palácio Ducal.

Ponte Rialto
As lojas sucediam-se, os turistas e os indígenas entrechocavam-se e, ao fim de não sei quantas curvas, chegou a última, aquela após a qual temos o Grande Canal à nossa frente e, logo ali, à esquerda, a beleza da maciça mas elegante Ponte Rialto. Esta é um dos bilhetes postais da cidade e segue o modelo antigo de passagem com casario em cima. 

Tal como a Ponte Vechio em Florença, também aqui se conservou a dupla função de ligação e "centro comercial", tão típica da antiguidade e, felizmente, conservada nalguns lugares para gáudio de quem por lá passe. Sobre a ponte, imensa gente tirando fotografias à envolvente (a Veneza "turística" está ali em força) e muita outra comprando recordações. Também haverá quem apenas use a ponte para chegar à outra margem, claro...

Por ali para um mundo: come-se, anda-se de gôndola, namora-se, ganha-se a vida. Quem quiser "perder" algum tempo sobre a ponte, poderá observar a vida que se desenrola à sua volta, acompanhando as reações dos turistas a toda aquela beleza e a contrastante indiferença dos calejados venezianos para quem tudo aquilo já não apresenta novidade. 

As gôndolas, os táxis, muitos caiaques e pequenas embarcações pertencentes a uma alegre e bem disposta "corrida" que se realizava por aquela altura... tudo aquilo se cruzava serenamente por aquelas paragens, ocasionalmente posto em causa este delicado equilíbrio por algum barco a motor cujo condutor estivesse com mais pressa mas sem que algum problema surgisse. 

É uma espécie de etérea renda o que os claros rastos das embarcações cruzados na verde água tecem...

A Ponte Rialto é um daqueles locais onde apetece ficar por sentirmos que estamos no coração da ação. Ali passa-se muita da essência da cidade e é fácil achar-se que, após São Marcos e os seus arredores, este é um sítio capaz de nos carimbar decididamente o passaporte na página do "Já fui a Veneza". Mas isso seria extremamente redutor e, felizmente, o guia que eu levava (o livro, entenda-se), assegurava-me, através das suas indicações de passeios que, uma vez atravessada a ponte, havia um mundo de coisas interessantes para ver. A única coisa a fazer era, portanto, ir ao outro lado do canal...

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