domingo, 12 de agosto de 2012

Itália / Eslovénia / Áustria - parte 9 (Veneza)

Ei-la: a Ponte dos Suspiros
2012/05/25

Olhei para a minha lista de coisas a ver em Veneza. Conferi a sua localização no livro e entendi que o melhor seria voltar pelo caminho por onde tinha vindo, reentrando na Praça de São Marcos e contornando-a no conforto da sombra das suas arcadas até chegar às colunas que se erguem junto ao palácio do Doge. Uma vez aí, era virar à esquerda e parar na ponte junto àquele. Objetivo: ver a Ponte dos Suspiros.

Ao contrário do que é normal, em que, primeiro, vemos o exterior de algo e só depois "analisamos" o seu interior, no caso do ícone veneziano conhecido localmente como Ponte dei Sospiri, eu já o tinha, literalmente, atravessado, sem que isso me desse grandes dicas quanto ao seu aspeto. Uma ou outra espreitadela através das janelas do palácio ducal tinham-me deixado algo desiludido e, quanto ao seu aspeto interno, bem..., basta dizer que era uma passagem para uma prisão para não se augurar nada de verdadeiramente interessante. Agora, eu estava olhando a ponte bem de frente, firmemente pousado noutra... ponte. E que via eu? Uma "mera" passagem superior entre dois edifícios, bonita, é certo, mas, certamente, pouco merecedora de toda a fama que detém. O "turismo" tem destas coisas: frequentemente damos por nós a olhar para um "ícone" e a pensar "tanta coisa para isto"?

É claro que as moles têm pouca tendência para aplicar um espírito crítico àquilo que lhes é ditado pelos "especialistas". Se se diz que a suspirada passagem é uma coisa soberba, o pessoal alinha e tira-lhe fotografias. Pareço um pouco amargo, não é? Mas é só mesmo parecença. A ponte é bonita e vale a pena ser vista, claro. Apenas acho que não merece "tanta" fama, nada mais.

O milionésimo monumento ao VE
(também conhecido por ser nome de
uma marca de camisas)
Continuando em frente e entrando em plena Riva degli Schiavoni , há uma zona onde se estabelece uma espécie de feira, i.e., há muitas bancas de venda de lembranças. Chapéus de palha, bibelôs, máscaras de carnaval, lenços, sacos, malas, camisolas... Enfim, toda uma parafernália, quase sempre de gosto bastante duvidoso, mas que assegura ao turista duas das suas necessidades mais prementes: mostrar que esteve num sítio (e assim ganhar vantagem moral sobre os outros), e presentear os seus mais próximos (para evitar aqueles comentários do tipo "Foste a Veneza e não me trouxeste nada!").

Chegando a mais um monumento dedicado a Vítor Emanuel (o primeiro rei da Itália unificada e cuja propaganda só faltou mandar cada cidadão do país trazer uma medalhinha sua ao peito - é que a criatura está em todo o lado!), voltei um pouco atrás, para me enfiar numa ruela que vai dar à praça onde está a igreja de São Zacarias, templo que, apesar das recomendações, não me apeteceu ir ver. Ao contrário do que sucedeu em viagens anteriores, desta vez não estava muito virado para admirar interiores de igrejas ("crime" é a única palavra que me ocorre para semelhante estado de espírito, tendo em conta o que se pode ver em Itália), e, portanto, segui em frente, que é como quem diz "virei à esquerda".

Andando por uma movimentada rua fui dar a mais uma ponte. Esta já estava depois da dos suspiros e, portanto, era um bom sítio para ver as traseiras daquela. Também era um bom local para descansar um pouco, por ter mais sombra e menos turistas do que a passagem que está do outro lado do monumento. E, por ser um local de passagem e paragem de gôndolas, quem por ali andasse podia sempre entreter-se com o movimento associado: o aliciamento (nada incomodativo - e muito menos para viajantes solitários, completamente ignorados pelos gondoleiros), a conversa sobre preços e, finalmente, o embarque. Nos entrementes, tudo aquilo dava boas fotografias.

Para quem ande com fome, esta área (ou melhor, as ruas que ligam a Riva degli Schiavoni à pequena ponte de que falei no parágrafo anterior), não é de negligenciar já que existem diversos restaurantes apresentando menus turísticos com preços bastante convidativos (sempre mais caros do que um mero hamburger, escusado é dizer). Quanto à sua qualidade, não me posso pronunciar porque não parei neles, já que, no primeiro caminho da manhã, tinha-me munido de incipientes comes e bebes mas capazes de me aguentarem durante umas boas horas. Vantagens de gastar pouco aos 100.

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