quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Os cães de Pompeia

Entra-se em Pompeia por uma espécie de rampa, uma rua romana que nos leva desde a zona das bilheteiras até ao forum. Quando chegamos a este começamos a vê-los: um aqui, dois ali... Quase todos com aquele ar indolente de quem não tem de se preocupar com rigorosamente nada. Ocasionalmente, algum mostrará alguma curiosidade por quem chega. Provavelmente por ser, também ele, um recém chegado. 

São os cães de Pompeia. E se o visitante julga que são penetras que ali vão à procura de ofertas dos turistas, engana-se. Eles são os atuais habitantes da cidade romana. Idas as pessoas há séculos, a caridade dos curadores das ruínas ditou que estas passassem a ser abrigo para cães vadios. Afinal de contas, não mostra a cidade em mais do que um sítio imagens do melhor amigo do Homem? Respeite-se o gosto dos antigos, então. Pompeia: cidade aberta aos cães.

Mas, ao contrário do que é habitual, os animais que por ali andam pachorrentamente, não só não parecem procurar as pessoas como também estas se mantêm um pouco à distância. Fotografias, muitas mas... festas, sinceramente, quase não as vi. E isto é capaz de não ser a melhor forma de os simpáticos bichos se promoverem. Sim, eu escrevi "promoverem". Porque eles estão ali com a intenção de serem adotados e é isso que é explicado num cartaz à entrada. São cães de Pompeia mas, amanhã, deseja-se que sejam de outro lado qualquer. Eles é que talvez não se sintam muito inclinados a abandonarem tudo aquilo. Convenhamos: quem tem uma cidade inteira para si, quererá mesmo um apartamento? Quem vê centenas de pessoas por dia, quererá mesmo resumir-se a ser o cão de apenas três ou quatro?

Considerações à parte, os canes (é Latim para "cães", senhores), são uma graça ternurenta no meio daquilo que, sendo um fabuloso monumento, não deixa de ser, sobretudo, um testemunho de uma enorme desgraça que ceifou milhares de vidas.

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