sábado, 26 de janeiro de 2013

Itália / Eslovénia / Áustria - parte 13 (Veneza / Murano)

"Fondamenta dei Vetrai" - a via principal
2012/05/26


Murano 

Quando ainda não tivemos hipótese de gastar a nossa curiosidade pelo aspeto exterior de San Michele (a ilha cemitério), já Murano nos surge pela frente. Agora é hora de desembarcar. 

Um misto de turistas e nativos (sim "nativo" não é coisa que se aplique, apenas, a gente de tanga em países tropicais), sai do barco, uns preparando as máquinas fotográficas, outros cumprimentando logo ali um qualquer conhecido encontrado na zona do cais.


O caminho natural a seguir é para a direita, em direção a um canal que serve de "rua" principal à ilha. O espaço é ladeado por lojas e armazéns ligados ao comércio vidreiro e atravessado por algumas pontes que, para além de locais de passagem, são ótimos pontos a partir de onde tirar fotografias.


Não pude deixar de reparar na geral fealdade dos objetos à venda, quase todos misturados de vários cores e com aquele ar piroso de bibelô de segunda categoria que se espera ver em casas mal decoradas. É certo que se vê algumas coisas que só teriam sido possíveis de fazer com grande mestria (há enormes esculturas de vidro, ao ar livre), mas o talento técnico não é, necessariamente, sinónimo de bom gosto.


A ilha ainda estava começando a acordar. As lojas abriam, os comerciantes preparavam-se e algumas pessoas procuravam abastecer-se com os bens para o dia. O movimento era pouco, portanto. Continuei seguindo o canal (difícil era fazer outra coisa) até chegar a um local onde, em ambas as margens o espaço era maior. À esquerda, uma igreja antiga e, à direita, uma praceta com um torreão. A igreja estava fechada e, do outro lado, nada me apelou a mudar de margem. Já um pouco mais à frente, a mudança impos-se: um canal maior criava uma zona bastante aberta a qual era atravessada por uma ponte maior. Tentei perceber, olhando para um mapa, onde estariam os pontos de maior interesse (umas igrejas) e decidi procurar aquele que me pareceu mais fácil de alcançar.


Atravessado o canal, virei à direita e abrandei o passo para apreciar o negócio de venda de legumes que se fazia entre algumas velhotas na margem e um casal dentro de um barquinho. Se em Veneza tudo se faz pela água, porque não haver mercearias flutuantes?



Igreja de "Santa Maria e San Donato"
Continuei ao longo da Riva Longa até chegar ao ponto desejado: a igreja de Santa Maria e San Donato. Esta fica num largo, tem ao seu lado uma torre e um monumento que me pareceu ser aos mortos numa guerra. Todo o conjunto é naquele estilo com o tijolo à mostra, tão vulgar em Itália. Entrei na igreja, crente de que, dada a sua antiguidade (Séc. VII - e não, não falta um "X" no início), iria ver coisas interessantes. Na realidade, o melhor que se faz é não tirar os olhos do chão, já que este é composto de um enorme mosaico polícromo. Tendo a visita sido relativamente rápida, aproveitei para pairar um pouco nas imediações.

Por esta altura considerava Murano vista. É claro que havia mais coisas de interesse mas o meu fiel PDA dizia-me que tinha de ir apanhar o barco para a ilha de Burano e que era melhor apressar-me. Fiz o caminho de volta, tomando agora atenção a todos os barcos e barquinhos que se enfileiravam ao longo das margens do canal e apreciando a perícia de alguns "pintas" no manejo do leme.


Ao voltar à "rua" principal da ilha (a Fondamenta dei Vetrai - já se vê que vetrai e "vitrais" são palavras irmãs...), mudei de margem porque a paragem da carreira marítima era noutro local que não aquele onde eu tinha desembarcado. Isto deu-me oportunidade para ver mais algumas ruas (que já começavam a forrar-se de turistas), e a assistir ao começo da labuta manducatória dos primeiros convivas de algumas esplanadas.


Uma escultura de vidro de... Murano
Dizem-me que Murano é um daqueles pontos onde os turistas são levados por uma única razão: comprar "vidro".  Tudo me fez crer que isso seja verdade. A quantidade de lojas e a sua localização são típicas dos meios mononegócio (esta palavra existe?), mas, tal como em muitos outros locais, a presença de um grande interesse acaba por desviar a atenção dos visitantes de coisas muito mais interessantes. 

Quem for a Murano (pelo próprio pé ou levado em excursões), em busca dos foleirosos vidros arrisca-se a passar ao lado de tudo aquilo que a ilha realmente tem de valor: o ambiente, os edifícios, os canais... Ou seja, Murano é uma naturalíssima continuação de Veneza, mas à escala daquilo que a ilha é: um arrabalde. 

Esqueçam a Murano comercial, riam-se do mau gosto da especialidade local e apreciem o espaço porque é, mesmo, o melhor que a ilha tem para vos oferecer.



Sem comentários:

Enviar um comentário

Textos relacionados